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O papel dos amigos no combate à depressão

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Dia 20 de julho comemora-se o Dia do Amigo! A data é uma oportunidade para ressaltar a importância da amizade até mesmo para combater transtornos mentais. Assim como os amigos podem fazer toda a diferença durante o tratamento para depressão, a falta de uma rede de apoio pode representar um risco maior de desenvolver a doença.

“Ter uma boa rede social pode ser uma forma de combater a depressão”, diz Thomas House, pesquisador britânico que aborda o tema. Em um de seus estudos, House entrevistou dois mil adolescentes para testar a teoria de que o estado de ânimo poderia ser contagioso entre os adolescentes.

A pesquisa não só refutou a hipótese, como mostrou que a presença de amigos equilibrados pode reduzir a probabilidade de se desenvolver depressão. Além disso, a rede de amigos pode duplicar as chances de cura do deprimido no prazo de seis a doze meses.

 

A importância dos amigos para evitar a depressão

Um estudo realizado em Portugal mostrou que ter uma rede de amigos influencia estatisticamente no índice de depressão entre adolescentes e jovens adultos. A pesquisa analisou 262 estudantes entre 16 e 21 anos.  Foram utilizados, como instrumentos de medida, a Escala de Satisfação com o Suporte Social (ESSS) (Ribeiro, 1999) e o Inventário de Depressão de Beck (BDI) (Gorenstein & Andrade, 1996).

Segundo os pesquisadores João Claudino, Raul Cordeiro e Miguel Arriaga, a adolescência é uma etapa crucial do processo de crescimento e desenvolvimento. Portanto, é uma fase extremamente relevante para a construção do indivíduo, tanto a nível físico quanto psicossocial.

O estudo apontou que a maioria dos jovens inseridos em um grupo de amigos, com relação de proximidade e apoio mútuo, pode apresentar uma menor probabilidade de desenvolver depressão. Enquanto isso, aqueles que não têm o suporte de uma rede de amigos, possuem maior risco de ter o transtorno.

Entre os entrevistados, 6,11% apresentaram valores do Índice de Depressão de Beck superiores ou igual a 20 (pontuação de corte para o transtorno). Conforme o levantamento, quanto mais elevado o Índice de Depressão de Beck, menor o valor dos resultados das Dimensões de Suporte Social. Segundo Sarason citado por Ribeiro (1999, 547), suporte social define-se como existência ou disponibilidade de pessoas em quem se pode confiar, pessoas que nos mostram que se preocupam conosco, nos valorizam e gostam de nós.

Consequentemente, para minimizar o risco de depressão são necessários suportes sociais como a família, o grupo de amigos e a escola, que são de valor significativo para o adolescente. Os resultados do estudo levam a pensar que quanto menor for à intimidade que o adolescente tiver com aqueles que o rodeiam, maior será a depressão sentida. Isso porque, a satisfação com a família, com os amigos e atividades sociais são as bases para o seu bem-estar.

 

Depressão é mais recorrente entre mulheres desde a adolescência

O estudo realizado por Claudino, Cordeiro e Arriaga apontou que o sexo feminino é o que apresenta maior tendência à depressão. Além disso, os indivíduos do sexo masculino têm maior suporte social (com resultado médio=3,89; s=0,58) do que os indivíduos do sexo feminino (com resultado médio=3,71; s=0,60).

Segundo os pesquisadores, isso se dá porque o sexo masculino tem maior suporte de amigos. Eles acreditam que o fato de os homens participarem de um número maior de atividades sociais e lúdicas proporcionam mais possibilidades de interação com os amigos.

Outras pesquisas mostram que o risco de depressão é entre 10% e 25% para mulheres. Enquanto isso, entre os homens, o índice fica entre 5% a 12%.

A diferença entre homens e mulheres com depressão começa a ser mais acentuada a partir dos 15 anos. Com a puberdade, a produção de hormônios sexuais e consequentemente acaba sendo um fator a mais na tendência à doença entre as mulheres.

Entenda outros fatores, sociais e biológicos, que contribuem para essa ocorrência maior de depressão entre as mulheres.

 

Referências: Depressão e suporte social em adolescentes e jovens adultos: um estudo realizado junto de adolescentes pré-universitários, Gaúcha ZH

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