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Sertralina: entenda para que serve, como funciona e os cuidados do tratamento

Sertralina é um antidepressivo ISRS usado para depressão e ansiedade, que possui resposta variável entre pacientes.
  • Por Guido Boabaid
  • junho 12, 2026
  • Tempo: 11 minutos

A sertralina é um dos medicamentos mais conhecidos e prescritos para tratar a depressão e a ansiedade. Trata-se de um antidepressivo que atua no equilíbrio da serotonina, um neurotransmissor ligado ao humor, ao sono e ao bem-estar emocional, e que tem ajudado pessoas a recuperar o equilíbrio no dia a dia.

É importante saber que a ação desse medicamento não é imediata e a resposta ao tratamento pode variar entre indivíduos. Por isso, a busca pela medicina personalizada e farmacogenética pode ajudar a compreender as possíveis diferenças na resposta medicamentosa em cada paciente.  

Neste artigo, explicaremos para que serve a sertralina, como ela funciona no cérebro, quais efeitos pode causar e quais cuidados são necessários durante o tratamento. Acompanhe!

Sumário

  • O que é sertralina e para que serve?
  • Para o que é usada a sertralina?
  • O que a sertralina faz na pessoa?
  • Como a sertralina funciona no cérebro?
  • Como tomar
  • Quais são os efeitos colaterais da sertralina? 
    • Efeitos colaterais comuns
  • Pode tomar sertralina e dormir? 
  • Cuidados importantes 
    • Interações medicamentosas
    • Consumo de álcool
    • Atenção ao dirigir
    • Populações especiais
  • Interrupção abrupta do uso
  • Quem tem gordura no fígado pode tomar sertralina?
  • Teste farmacogenético e o uso da sertralina 
  • Sertralina e a personalização do tratamento com a GnTech
  • Perguntas frequentes sobre sertralina

O que é sertralina e para que serve?

A sertralina é um Inibidor Seletivo da Recaptação de Serotonina (ISRS), sendo um antidepressivo que atua aumentando a disponibilidade deste neurotransmissor no cérebro.

O medicamento possui grande relevância no tratamento de transtornos psiquiátricos comuns, como ansiedade e depressão, sendo amplamente estudado e prescrito na psiquiatria para melhorar a saúde mental dos pacientes.

Porém, o seu uso exige prescrição e acompanhamento médico contínuo, já que cada organismo reage de maneira diferente aos medicamentos que atuam no sistema nervoso central. 

Nesse aspecto, a medicina personalizada e a farmacogenética podem ser grandes aliadas para o tratamento.

Entenda mais sobre a sertralina:

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Para o que é usada a sertralina?

Uma das principais características da sertralina é a sua versatilidade. Trata-se de um medicamento que pode ser usado no tratamento de diversos transtornos depressivos e ansiosos, além de outras condições que comprometem a saúde mental.

Entre os diagnósticos em que o médico pode indicar o uso da sertralina estão:

  • Depressão, com episódios depressivos maiores ou recorrentes;
  • Transtorno de ansiedade generalizada (TAG);
  • Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC);
  • Transtorno do pânico;
  • Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).

Em alguns casos, ela também pode ser prescrita em quadros de transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM), para reduzir oscilações de humor intensas.

Vale destacar que a decisão sobre o uso da sertralina depende sempre de uma avaliação médica individual e detalhada, considerando o histórico clínico, outras medicações em uso e a resposta do paciente.

O que a sertralina faz na pessoa?

Ao equilibrar a disponibilidade de serotonina no cérebro, a sertralina pode agir na regulação do humor, ansiedade, irritabilidade e sintomas emocionais, promovendo maior estabilidade emocional no dia a dia da pessoa. 

Apesar de seus efeitos, os resultados não são imediatos e dependem de fatores individuais de cada um, podendo levar algumas semanas para que o paciente perceba os benefícios. 

Como a sertralina funciona no cérebro?

Para entender o funcionamento da sertralina no cérebro, é preciso compreender o papel dos neurotransmissores na comunicação entre os neurônios. A serotonina é um deles, e age diretamente na regulação do humor, do sono, do apetite e da ansiedade. 

Como Inibidora Seletiva da Recaptação de Serotonina (ISRS), a sertralina age impedindo que esse neurotransmissor seja reabsorvido pelo neurônio após ser liberado na sinapse, que é o espaço onde as células nervosas se comunicam. 

Dessa forma, com uma quantidade maior de serotonina circulando livremente por esse espaço, o cérebro consegue se reorganizar e fortalecer as suas conexões. Isso faz com que a química da sua mente entre em equilíbrio, promovendo a estabilidade emocional e o alívio diário.

Essa ação favorece uma comunicação mais equilibrada entre os neurônios e tende a reduzir sintomas como:

  • Tristeza persistente;
  • Irritabilidade;
  • Inquietação.

Vale lembrar, contudo, que o efeito terapêutico não é imediato, aparecendo geralmente entre duas e quatro semanas de uso contínuo.

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Como tomar

A forma correta de usar a sertralina depende de uma prescrição médica individualizada. Abaixo, veja os principais pontos sobre o uso do medicamento:

  • Dosagem: o tratamento geralmente começa com doses mais baixas, ajustadas progressivamente pelo médico conforme a resposta clínica de cada paciente. 
  • Como tomar: o medicamento é administrado via oral, com ou sem alimentos, sempre no mesmo horário todos os dias.
  • Horário: pode ser tomado pela manhã ou à noite. O horário ideal varia conforme a tolerância do organismo. Pessoas que relatam insônia, por exemplo, tendem a preferir o uso matinal, enquanto quem sente sonolência pode se adaptar melhor ao uso noturno.
  • Dose esquecida: se esquecer de tomar, pode ser tomado assim que lembrar. Se estiver próximo do horário da próxima dose, pule a esquecida e siga a rotina normal. É importante nunca dobrar a dose para compensar.
  • Duração: a sertralina é de uso contínuo. Os primeiros resultados costumam aparecer após algumas semanas, mas o tempo total de tratamento varia conforme a condição tratada e a resposta individual.

Vale reforçar que os efeitos da sertralina não aparecem de imediato. A continuidade do tratamento é o que permite que o organismo responda de forma estável ao medicamento.

Quais são os efeitos colaterais da sertralina? 

Como qualquer medicamento que atua no sistema nervoso central, a sertralina pode causar efeitos colaterais, principalmente nas primeiras semanas de tratamento, quando o organismo ainda está em fase de adaptação. Entre os mais observados estão náusea, insônia, tontura, fadiga e alterações no apetite.

Efeitos colaterais comuns

Conforme a bula do medicamento publicada em 2025, os efeitos colaterais mais comuns afetam mais de 10% dos pacientes, sendo eles: 

  • Alterações no sono, como insônia ou sonolência;
  • Tontura ou vertigem;
  • Dor de cabeça;
  • Efeitos gastrointestinais, como desconforto abdominal e diarreia;
  • Náusea (enjoo).

Além disso, a bula também atribui outros efeitos que afetam entre 1% e 10% dos pacientes, como:

  • Mudanças no apetite e peso;
  • Agitação ou ansiedade;
  • Boca seca e sudorese;
  • Hiperidrose (suor excessivo);
  • Alterações na libido e disfunção sexual;
  • Fadiga e mal-estar;
  • Agitação ou nervosismo leve.

Pode tomar sertralina e dormir? 

Sim, a sertralina pode ser usada antes de dormir, mas o horário ideal depende de como cada organismo responde ao medicamento, conforme orientação médica. 

Isso ocorre porque a sertralina pode causar efeitos opostos dependendo do paciente: em algumas pessoas, ela provoca sonolência, tornando o uso noturno mais confortável. Em outras, pode causar insônia ou dificultar o sono, sendo mais indicado tomá-la pela manhã.

Caso você perceba alterações no sono após iniciar o uso, informe ao médico para que o horário do tratamento seja ajustado conforme a sua adaptação. 

Cuidados importantes 

A sertralina é um medicamento seguro, mas exige alguns cuidados ao longo do tratamento. Diferente dos benzodiazepínicos, ela não causa dependência química, mas isso não significa que o tratamento pode ser interrompido a qualquer momento. 

Interações medicamentosas

A sertralina não deve ser usada junto a inibidores da monoaminoxidase (IMAO), como tranilcipromina ou selegilina. 

Também é importante atenção ao uso de analgésicos opioides como o tramadol, pois a combinação pode provocar a síndrome serotoninérgica, uma reação grave que exige atenção médica. 

Consumo de álcool

É indicado evitar ou diminuir ao máximo a ingestão de bebidas alcoólicas durante o tratamento, pois o álcool interfere na química do cérebro e pode aumentar as chances de reações adversas.

Atenção ao dirigir

É possível que você sinta uma leve diminuição no seu estado de alerta logo no início da medicação. Por segurança, espere alguns dias para entender como o seu organismo reage antes de dirigir veículos ou operar equipamentos pesados.

Populações especiais

Se você possui epilepsia avise o seu médico, pois esse caso exige doses ajustadas. 

No caso de gravidez ou amamentação, a sertralina pode ser uma opção segura, mas a decisão deve ser sempre acompanhada de perto pelo seu obstetra.

Interrupção abrupta do uso

Suspender a sertralina de forma abrupta pode provocar a síndrome de descontinuação, caracterizada por sintomas como tontura, náusea, irritabilidade, distúrbios do sono e sensações de choque elétrico. 

Para evitar esse quadro, a dose deve ser reduzida gradualmente, sempre com orientação médica.

Quem tem gordura no fígado pode tomar sertralina?

Quem tem gordura no fígado pode tomar sertralina, mas a indicação depende sempre de uma avaliação da sua função hepática. 

Como esse órgão atua no metabolismo dos medicamentos, o médico deve analisar o seu quadro clínico individual para garantir que o organismo consiga processar o remédio adequadamente e sem sobrecarga. 

Teste farmacogenético e o uso da sertralina 

Os testes farmacogenéticos avaliam a genética do paciente para identificar variações no DNA que influenciam a forma como o organismo reage aos medicamentos, incluindo os antidepressivos.

No caso da sertralina, certas variações em genes ligados às enzimas do fígado podem alterar a velocidade com que o corpo processa o remédio. Essas variações fazem o corpo processar o remédio mais rápido ou mais devagar, impactando diretamente a tolerabilidade e o bem-estar do paciente.

Dessa forma, o teste farmacogenético pode ajudar a entender por que algumas pessoas respondem melhor ou pior ao medicamento, e ainda auxiliar o médico na hora da prescrição, contribuindo com a medicina personalizada.

A precisão do laudo do teste reduz a jornada de tentativas e erros no dia a dia do paciente, influenciando:

  • A eficácia do tratamento;
  • O risco de efeitos colaterais;
  • A necessidade de ajuste de dose.

Entre os benefícios do teste farmacogenético para esse fim, podemos citar:

  • Identificar a melhor opção de antidepressivo para o paciente;
  • Reduzir tentativas e erros no tratamento;
  • Prever risco de efeitos adversos;
  • Apoiar decisões médicas mais personalizadas.

A GnTech realiza esse tipo de análise por meio dos seus testes farmacogenéticos, que auxiliam profissionais de saúde a otimizar o tratamento de pacientes com depressão, ansiedade e outros transtornos de saúde, sempre buscando segurança e precisão clínica.

Sertralina e a personalização do tratamento com a GnTech

Antidepressivos como a sertralina podem produzir respostas diferentes entre indivíduos devido a fatores genéticos e clínicos. 

Os testes farmacogenéticos da GnTech ajudam os médicos a compreender essas diferenças e a tomar decisões mais individualizadas, com maior previsibilidade terapêutica, redução da tentativa e erro e mais segurança no tratamento.

Conheça os testes farmacogenéticos da GnTech e converse com seu médico sobre estratégias mais personalizadas para o tratamento da depressão e dos transtornos de ansiedade.

Perguntas frequentes sobre sertralina

Confira as respostas a seguir:

Pode dar sertralina para criança?

A sertralina pode ser utilizada em crianças e adolescentes em situações específicas, sempre com avaliação e acompanhamento médico especializado.

Qual remédio não misturar com sertralina?

A sertralina exige cautela com medicamentos como IMAOs, triptanos, lítio e outros que aumentam serotonina, devido ao risco de síndrome serotoninérgica.

Qual a interação entre lítio e sertralina?

A combinação pode aumentar o risco de síndrome serotoninérgica, com sintomas como agitação, tremores e febre, exigindo monitoramento médico.

Foto de Guido Boabaid

Guido Boabaid

Psiquiatra e Psicoterapeuta. CEO e fundador da GnTech, Professor Convidado da Faculdade de Medicina da Unisul - Pedra Branca. Médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein. Mais de 1.000 casos clínicos guiados pelo Teste Farmacogenético.

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