Sertralina: entenda para que serve, como funciona e os cuidados do tratamento
- Por Guido Boabaid
- Tempo: 11 minutos
A sertralina é um dos medicamentos mais conhecidos e prescritos para tratar a depressão e a ansiedade. Trata-se de um antidepressivo que atua no equilíbrio da serotonina, um neurotransmissor ligado ao humor, ao sono e ao bem-estar emocional, e que tem ajudado pessoas a recuperar o equilíbrio no dia a dia.
É importante saber que a ação desse medicamento não é imediata e a resposta ao tratamento pode variar entre indivíduos. Por isso, a busca pela medicina personalizada e farmacogenética pode ajudar a compreender as possíveis diferenças na resposta medicamentosa em cada paciente.
Neste artigo, explicaremos para que serve a sertralina, como ela funciona no cérebro, quais efeitos pode causar e quais cuidados são necessários durante o tratamento. Acompanhe!
Sumário
O que é sertralina e para que serve?
A sertralina é um Inibidor Seletivo da Recaptação de Serotonina (ISRS), sendo um antidepressivo que atua aumentando a disponibilidade deste neurotransmissor no cérebro.
O medicamento possui grande relevância no tratamento de transtornos psiquiátricos comuns, como ansiedade e depressão, sendo amplamente estudado e prescrito na psiquiatria para melhorar a saúde mental dos pacientes.
Porém, o seu uso exige prescrição e acompanhamento médico contínuo, já que cada organismo reage de maneira diferente aos medicamentos que atuam no sistema nervoso central.
Nesse aspecto, a medicina personalizada e a farmacogenética podem ser grandes aliadas para o tratamento.
Entenda mais sobre a sertralina:
Para o que é usada a sertralina?
Uma das principais características da sertralina é a sua versatilidade. Trata-se de um medicamento que pode ser usado no tratamento de diversos transtornos depressivos e ansiosos, além de outras condições que comprometem a saúde mental.
Entre os diagnósticos em que o médico pode indicar o uso da sertralina estão:
- Depressão, com episódios depressivos maiores ou recorrentes;
- Transtorno de ansiedade generalizada (TAG);
- Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC);
- Transtorno do pânico;
- Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).
Em alguns casos, ela também pode ser prescrita em quadros de transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM), para reduzir oscilações de humor intensas.
Vale destacar que a decisão sobre o uso da sertralina depende sempre de uma avaliação médica individual e detalhada, considerando o histórico clínico, outras medicações em uso e a resposta do paciente.
O que a sertralina faz na pessoa?
Ao equilibrar a disponibilidade de serotonina no cérebro, a sertralina pode agir na regulação do humor, ansiedade, irritabilidade e sintomas emocionais, promovendo maior estabilidade emocional no dia a dia da pessoa.
Apesar de seus efeitos, os resultados não são imediatos e dependem de fatores individuais de cada um, podendo levar algumas semanas para que o paciente perceba os benefícios.
Como a sertralina funciona no cérebro?
Para entender o funcionamento da sertralina no cérebro, é preciso compreender o papel dos neurotransmissores na comunicação entre os neurônios. A serotonina é um deles, e age diretamente na regulação do humor, do sono, do apetite e da ansiedade.
Como Inibidora Seletiva da Recaptação de Serotonina (ISRS), a sertralina age impedindo que esse neurotransmissor seja reabsorvido pelo neurônio após ser liberado na sinapse, que é o espaço onde as células nervosas se comunicam.
Dessa forma, com uma quantidade maior de serotonina circulando livremente por esse espaço, o cérebro consegue se reorganizar e fortalecer as suas conexões. Isso faz com que a química da sua mente entre em equilíbrio, promovendo a estabilidade emocional e o alívio diário.
Essa ação favorece uma comunicação mais equilibrada entre os neurônios e tende a reduzir sintomas como:
- Tristeza persistente;
- Irritabilidade;
- Inquietação.
Vale lembrar, contudo, que o efeito terapêutico não é imediato, aparecendo geralmente entre duas e quatro semanas de uso contínuo.
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Como tomar
A forma correta de usar a sertralina depende de uma prescrição médica individualizada. Abaixo, veja os principais pontos sobre o uso do medicamento:
- Dosagem: o tratamento geralmente começa com doses mais baixas, ajustadas progressivamente pelo médico conforme a resposta clínica de cada paciente.
- Como tomar: o medicamento é administrado via oral, com ou sem alimentos, sempre no mesmo horário todos os dias.
- Horário: pode ser tomado pela manhã ou à noite. O horário ideal varia conforme a tolerância do organismo. Pessoas que relatam insônia, por exemplo, tendem a preferir o uso matinal, enquanto quem sente sonolência pode se adaptar melhor ao uso noturno.
- Dose esquecida: se esquecer de tomar, pode ser tomado assim que lembrar. Se estiver próximo do horário da próxima dose, pule a esquecida e siga a rotina normal. É importante nunca dobrar a dose para compensar.
- Duração: a sertralina é de uso contínuo. Os primeiros resultados costumam aparecer após algumas semanas, mas o tempo total de tratamento varia conforme a condição tratada e a resposta individual.
Vale reforçar que os efeitos da sertralina não aparecem de imediato. A continuidade do tratamento é o que permite que o organismo responda de forma estável ao medicamento.
Quais são os efeitos colaterais da sertralina?
Como qualquer medicamento que atua no sistema nervoso central, a sertralina pode causar efeitos colaterais, principalmente nas primeiras semanas de tratamento, quando o organismo ainda está em fase de adaptação. Entre os mais observados estão náusea, insônia, tontura, fadiga e alterações no apetite.
Efeitos colaterais comuns
Conforme a bula do medicamento publicada em 2025, os efeitos colaterais mais comuns afetam mais de 10% dos pacientes, sendo eles:
- Alterações no sono, como insônia ou sonolência;
- Tontura ou vertigem;
- Dor de cabeça;
- Efeitos gastrointestinais, como desconforto abdominal e diarreia;
- Náusea (enjoo).
Além disso, a bula também atribui outros efeitos que afetam entre 1% e 10% dos pacientes, como:
- Mudanças no apetite e peso;
- Agitação ou ansiedade;
- Boca seca e sudorese;
- Hiperidrose (suor excessivo);
- Alterações na libido e disfunção sexual;
- Fadiga e mal-estar;
- Agitação ou nervosismo leve.
Pode tomar sertralina e dormir?
Sim, a sertralina pode ser usada antes de dormir, mas o horário ideal depende de como cada organismo responde ao medicamento, conforme orientação médica.
Isso ocorre porque a sertralina pode causar efeitos opostos dependendo do paciente: em algumas pessoas, ela provoca sonolência, tornando o uso noturno mais confortável. Em outras, pode causar insônia ou dificultar o sono, sendo mais indicado tomá-la pela manhã.
Caso você perceba alterações no sono após iniciar o uso, informe ao médico para que o horário do tratamento seja ajustado conforme a sua adaptação.
Cuidados importantes
A sertralina é um medicamento seguro, mas exige alguns cuidados ao longo do tratamento. Diferente dos benzodiazepínicos, ela não causa dependência química, mas isso não significa que o tratamento pode ser interrompido a qualquer momento.
Interações medicamentosas
A sertralina não deve ser usada junto a inibidores da monoaminoxidase (IMAO), como tranilcipromina ou selegilina.
Também é importante atenção ao uso de analgésicos opioides como o tramadol, pois a combinação pode provocar a síndrome serotoninérgica, uma reação grave que exige atenção médica.
Consumo de álcool
É indicado evitar ou diminuir ao máximo a ingestão de bebidas alcoólicas durante o tratamento, pois o álcool interfere na química do cérebro e pode aumentar as chances de reações adversas.
Atenção ao dirigir
É possível que você sinta uma leve diminuição no seu estado de alerta logo no início da medicação. Por segurança, espere alguns dias para entender como o seu organismo reage antes de dirigir veículos ou operar equipamentos pesados.
Populações especiais
Se você possui epilepsia avise o seu médico, pois esse caso exige doses ajustadas.
No caso de gravidez ou amamentação, a sertralina pode ser uma opção segura, mas a decisão deve ser sempre acompanhada de perto pelo seu obstetra.
Interrupção abrupta do uso
Suspender a sertralina de forma abrupta pode provocar a síndrome de descontinuação, caracterizada por sintomas como tontura, náusea, irritabilidade, distúrbios do sono e sensações de choque elétrico.
Para evitar esse quadro, a dose deve ser reduzida gradualmente, sempre com orientação médica.
Quem tem gordura no fígado pode tomar sertralina?
Quem tem gordura no fígado pode tomar sertralina, mas a indicação depende sempre de uma avaliação da sua função hepática.
Como esse órgão atua no metabolismo dos medicamentos, o médico deve analisar o seu quadro clínico individual para garantir que o organismo consiga processar o remédio adequadamente e sem sobrecarga.
Teste farmacogenético e o uso da sertralina
Os testes farmacogenéticos avaliam a genética do paciente para identificar variações no DNA que influenciam a forma como o organismo reage aos medicamentos, incluindo os antidepressivos.
No caso da sertralina, certas variações em genes ligados às enzimas do fígado podem alterar a velocidade com que o corpo processa o remédio. Essas variações fazem o corpo processar o remédio mais rápido ou mais devagar, impactando diretamente a tolerabilidade e o bem-estar do paciente.
Dessa forma, o teste farmacogenético pode ajudar a entender por que algumas pessoas respondem melhor ou pior ao medicamento, e ainda auxiliar o médico na hora da prescrição, contribuindo com a medicina personalizada.
A precisão do laudo do teste reduz a jornada de tentativas e erros no dia a dia do paciente, influenciando:
- A eficácia do tratamento;
- O risco de efeitos colaterais;
- A necessidade de ajuste de dose.
Entre os benefícios do teste farmacogenético para esse fim, podemos citar:
- Identificar a melhor opção de antidepressivo para o paciente;
- Reduzir tentativas e erros no tratamento;
- Prever risco de efeitos adversos;
- Apoiar decisões médicas mais personalizadas.
A GnTech realiza esse tipo de análise por meio dos seus testes farmacogenéticos, que auxiliam profissionais de saúde a otimizar o tratamento de pacientes com depressão, ansiedade e outros transtornos de saúde, sempre buscando segurança e precisão clínica.
Sertralina e a personalização do tratamento com a GnTech
Antidepressivos como a sertralina podem produzir respostas diferentes entre indivíduos devido a fatores genéticos e clínicos.
Os testes farmacogenéticos da GnTech ajudam os médicos a compreender essas diferenças e a tomar decisões mais individualizadas, com maior previsibilidade terapêutica, redução da tentativa e erro e mais segurança no tratamento.
Conheça os testes farmacogenéticos da GnTech e converse com seu médico sobre estratégias mais personalizadas para o tratamento da depressão e dos transtornos de ansiedade.
Perguntas frequentes sobre sertralina
Confira as respostas a seguir:
A sertralina pode ser utilizada em crianças e adolescentes em situações específicas, sempre com avaliação e acompanhamento médico especializado.
A sertralina exige cautela com medicamentos como IMAOs, triptanos, lítio e outros que aumentam serotonina, devido ao risco de síndrome serotoninérgica.
A combinação pode aumentar o risco de síndrome serotoninérgica, com sintomas como agitação, tremores e febre, exigindo monitoramento médico.



