Tratar depressão após ataque cardíaco pode prevenir recorrência

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11 de julho de 2018

Tratar depressão após ataque cardíaco pode prevenir recorrência

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Uma pesquisa divulgada no JAMA Journal, dos Estados Unidos,  revelou que tratar a depressão após um ataque cardíaco pode ajudar a prevenir que os pacientes tenham outro episódio cardíaco com risco de vida no futuro.

Qual a ligação da depressão com ataque cardíaco?

A depressão não afeta apenas a clareza mental e humor, mas também coloca o corpo sob estresse, elevando a pressão arterial e os riscos para outro ataque cardíaco.

A doença cardíaca e suas complicações ainda matam mais pessoas do que qualquer outra causa única de morte em todos os países do mundo, incluindo os EUA. As taxas de depressão são similarmente altas na América, com cerca de 16,2 milhões de adultos sofrendo da doença mental comum. No Brasil, mais de 12 de milhões possuem o distúrbio mental.

A depressão pode prejudicar o coração através de caminhos comportamentais e biológicos.

Hábitos e atividades saudáveis para o coração, como alimentação saudável e exercícios regulares, simplesmente não estão na agenda padrão de um cérebro deprimido.

Em adultos mais velhos – que compreendem a grande maioria dos pacientes cardíacos – a depressão muitas vezes não se manifesta como “tristeza”, mas como uma falta de motivação ou sentimentos de lentidão e apatia. Isso pode resultar em pacientes que estão comendo mal, permanecendo sedentários e esquecendo ou pulando medicamentos.

Embora esses bons hábitos pareçam prioridades mais baixas durante surtos de depressão, atividades destrutivas como beber e fumar tendem a aumentar cada vez mais, à medida que o humor de uma pessoa diminui. Enquanto isso, a depressão também pode causar estragos no sistema nervoso e vem com desequilíbrios hormonais.

Em conjunto, esses dois efeitos podem eliminar o ritmo natural do coração. Há também evidências ligando mudanças na composição das plaquetas sanguíneas à depressão. Em pacientes que vivem com o transtorno de humor, as plaquetas do sangue parecem ser mais “pegajosas”.

As plaquetas permitem que o sangue coagule, o que é crucial para nos impedir de sangrar até a morte, mas essas plaquetas extra-pegajosas podem fazer com que essas células do sangue atinjam as paredes internas das artérias, tornando-as mais espessas e endurecidas. Isso pode piorar e acelerar o desenvolvimento da aterosclerose, uma condição que pode causar um acidente vascular cerebral, coágulo sanguíneo fatal ou outro ataque cardíaco. Mas a sobreposição de risco de vida entre depressão e dano cardíaco pode ser pelo menos parcialmente tratável.

Como sobreviventes a um ataque cardíaco que possuem quadro de depressão devem proceder?

Procurar um psiquiatra e iniciar tratamento com antidepressivos imediatamente após o primeiro episódio cardíaco pode reduzir drasticamente as chances de recorrência em 23%, de acordo com a pesquisa.

Pessoas deprimidos podem otimizar seu tratamento contra o transtorno psicológico com a ajuda da medicina personalizada, que disponibiliza o Teste Farmacogenético, que compara o DNA com antidepressivos, indicando ao médico qual o remédio que pode dar a melhor resposta para seu paciente. Aqui no Brasil este teste é disponibilizado pela GnTech.

A depressão é particularmente comum e debilitante para os idosos e os pacientes cardíacos correm um risco ainda maior de desenvolver o transtorno de humor. Outro dado preocupante: alguém que teve um ataque cardíaco tem duas vezes mais probabilidade de desenvolver depressão do que um adulto que nunca teve um problema cardíaco grave. Clique aqui e saiba mais sobre depressão em idosos.

Problemas cardíacos e depressão podem formar uma espécie de ciclo. Alguns pacientes podem sentir-se deprimidos porque têm problemas de saúde do coração e a depressão pode contribuir para a deterioração do coração.

Como foi feita a pesquisa?

Pesquisadores da Coréia do Sul e do Reino Unido trataram 300 pacientes que tiveram um ataque cardíaco e sintomas de depressão com um antidepressivo comum – escitalopram, o nome genérico para o Lexapro – ou um placebo.

Cada participante tomou a medicação prescrita – seja real ou simulada – por 24 semanas, e os pesquisadores acompanharam todos esses pacientes por cerca de oito anos.

Ao longo desses anos, 53,6 por cento dos que tomaram o placebo tiveram um segundo grande problema cardíaco, mas apenas 40,9 por cento daqueles que tomavam antidepressivos tiveram uma recorrência de qualquer tipo de problema cardíaco grave.

As descobertas não apenas ressaltam a conexão entre a saúde mental e física, mas também que os antidepressivos podem oferecer uma maneira muito econômica de melhorar a qualidade de vida e reduzir os riscos futuros de ataques cardíacos para pacientes que já sofreram o suficiente.

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