Câncer de mama: diagnóstico precoce, tipos, sintomas e tratamentos
- Por Larissa Speck
- 20/10/2026
- Tempo: 13 minutos
O câncer de mama é uma doença causada pela multiplicação desordenada de células anormais da mama, que pode formar um tumor com potencial de invadir outros tecidos e órgãos. É o câncer mais incidente entre as mulheres no Brasil, e também pode acometer homens, embora eles representem cerca de 1% dos casos.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima mais de 78 mil novos casos de câncer de mama por ano no Brasil, com risco estimado de 71 casos a cada 100 mil mulheres.
Por isso, conhecer os sinais de alerta, entender como funciona o diagnóstico e saber quais são as possibilidades de tratamento ajuda a reconhecer alterações e buscar atendimento médico no momento adequado.
Vamos lá?
Sumário
O que causa o câncer de mama?
O risco de câncer de mama está relacionado a uma combinação de características individuais, histórico familiar, fatores hormonais e hábitos de vida.
O levantamento do INCA sobre o câncer de mama no Brasil destaca que pode haver modificação de alguns desses fatores, como excesso de peso, falta de atividade física, consumo de bebidas alcoólicas e uso de terapia de reposição hormonal. Já fatores hereditários e relacionados ao ciclo reprodutivo, em geral, não podem ser alterados.
Entre os fatores modificáveis, o excesso de gordura corporal merece atenção. Segundo o levantamento, 56,7% das mulheres brasileiras com 18 anos ou mais apresentavam excesso de peso em 2019, considerando o peso autorreferido.
O estudo relaciona o excesso de gordura corporal a alterações hormonais e inflamação crônica, que podem favorecer o desenvolvimento de diferentes tipos de câncer, incluindo o de mama.
O consumo de bebidas alcoólicas também está associado ao aumento do risco. O INCA destaca que não há nível seguro de consumo de álcool para a prevenção do câncer e que o risco aumenta conforme a dose e o tempo de exposição.
Como começa o câncer de mama?
O câncer de mama começa quando células anormais da mama passam a se multiplicar de forma desordenada, formando um tumor. Essas células podem se desenvolver nos ductos ou nos lóbulos mamários e apresentam comportamentos diferentes conforme as características do tumor.
No início, o câncer pode não provocar sintomas perceptíveis. Por isso, o rastreamento por mamografia tem papel importante na detecção precoce, enquanto alterações suspeitas devem ser investigadas independentemente da realização de exames de rotina.
O câncer de mama não tem uma causa única. Entre os fatores associados ao aumento do risco indicados pelo Instituto Nacional de Câncer – INCA, estão:
- Idade, principalmente a partir dos 50 anos;
- Histórico familiar e fatores genéticos ou hereditários;
- Menarca precoce e menopausa tardia;
- Primeira gravidez após os 30 anos e nuliparidade;
- Uso prolongado de determinados contraceptivos e terapia de reposição hormonal;
- Consumo de bebidas alcoólicas;
- Sobrepeso e obesidade;
- Inatividade física;
- Exposição à radiação ionizante.
Isso não significa que uma pessoa com um desses fatores necessariamente desenvolverá câncer. Da mesma forma, a ausência deles não elimina o risco.
Devido à sua importância, o mês de outubro é dedicado à conscientização sobre esse tipo de câncer.
Quais são os 7 tipos de câncer de mama?
Existem diferentes tipos de câncer de mama, classificados de acordo com a origem das células, as características do tumor e seu comportamento. O carcinoma ductal invasivo é o tipo histológico mais frequente e representa cerca de 80% a 90% dos carcinomas invasivos.
Entre os principais tipos e classificações, estão:
- Carcinoma ductal in situ (CDIS): está restrito aos ductos mamários e não invadiu o tecido ao redor.
- Carcinoma ductal invasivo: começa nos ductos e invade o tecido mamário próximo, podendo atingir outras regiões.
- Carcinoma lobular in situ (CLIS): não é um câncer invasivo, mas há associação à maior risco futuro de câncer de mama.
- Carcinoma lobular invasivo: tem origem nos lóbulos responsáveis pela produção do leite e pode invadir tecidos próximos.
- Câncer de mama inflamatório: é uma forma rara e mais agressiva, que pode provocar vermelhidão, aumento de volume e alteração da pele da mama.
- Doença de Paget da mama: afeta principalmente a região do mamilo e da aréola, podendo causar alterações semelhantes a uma irritação ou lesão.
- Câncer de mama triplo-negativo: é uma classificação molecular baseada na ausência de receptores de estrogênio, progesterona e HER2. Pode apresentar comportamento mais agressivo e exige uma estratégia terapêutica específica.
Essa classificação ajuda a entender por que não existe um único tratamento para todos os casos. O câncer de mama é uma doença heterogênea, com diferentes características biológicas e respostas terapêuticas.
Como cada tipo de câncer de mama se comporta?
O comportamento do câncer de mama depende do tipo e das características biológicas do tumor, além do estágio em que a doença é diagnosticada.
Por isso, o médico considera informações como tamanho do tumor, comprometimento dos linfonodos, presença de metástases e características biológicas, incluindo receptores hormonais e HER2. Esses dados ajudam a definir a estratégia de tratamento.
Quais são os primeiros sinais de câncer de mama?
O nódulo endurecido, fixo ou que aumenta de tamanho é um dos principais sinais de alerta. Porém, o câncer de mama também pode provocar alterações na pele, no mamilo e no formato da mama. Os sinais que devem ser investigados, segundo informações oficiais do INCA, são:
- Nódulo na mama;
- Nódulo na axila ou na região do pescoço;
- Saída espontânea de líquido por um dos mamilos;
- Retração do mamilo ou da pele;
- Pele com aspecto de casca de laranja;
- Aumento progressivo do tamanho da mama;
- Mudança no formato do mamilo;
- Lesão na pele da mama que não melhora com tratamentos tópicos.
Dor na mama não é o sinal mais característico do câncer, e muitas alterações mamárias têm outras causas. Por isso, a avaliação por um profissional de saúde deve considerar qualquer mudança persistente ou suspeita.
Qual a idade mais perigosa para ter câncer de mama?
O risco de desenvolver câncer de mama aumenta com a idade. Segundo o INCA, cerca de quatro em cada cinco casos ocorrem após os 50 anos.
Isso não significa que mulheres mais jovens estejam livres da doença. O histórico familiar, fatores genéticos e outras características individuais também podem modificar o risco.
Para o rastreamento populacional no SUS, a atualização da recomendação ocorreu em 2025: a mamografia de rotina prioritariamente feita para mulheres de 50 a 74 anos, a cada dois anos. Mulheres de outras faixas etárias podem realizar o exame de acordo com avaliação e decisão compartilhada com um profissional de saúde, considerando benefícios e possíveis riscos.
Como é feito o diagnóstico do câncer de mama?
A mamografia é a principal estratégia de rastreamento para detectar precocemente alterações suspeitas em mulheres sem sintomas. Quando existem sinais ou alterações nos exames, outros métodos, como ultrassonografia, podem complementar a investigação.
Mas nenhum exame de rotina ou de imagem, sozinho, confirma todos os casos de câncer de mama. Quando existe uma alteração suspeita, a confirmação diagnóstica é feita por meio da biópsia, que permite analisar uma amostra do tecido e classificar a neoplasia.
A partir desse material, também podem ser avaliadas características importantes para definir o tratamento, como os receptores hormonais e HER2.
Por isso, a resposta para a dúvida “qual o único exame que confirma o câncer de mama?” é: a confirmação depende da análise anatomopatológica de uma amostra obtida por biópsia, e não apenas da mamografia.
Quando o câncer de mama é considerado inicial?
O câncer de mama é inicial quando permanece restrito à mama ou às estruturas regionais, sem evidências de doença à distância. A determinação do tamanho e espalhamento ocorre por uma avaliação que considera extensão da doença e características do tumor.
Quanto mais cedo a doença é diagnosticada, maior tende a ser o potencial curativo do tratamento. Em casos com metástases, o tratamento passa a ter como objetivos principais prolongar a sobrevida e preservar a qualidade de vida.
Por isso, reconhecer sinais suspeitos e manter o acompanhamento são medidas importantes. No SUS, o atendimento do câncer de mama ocorre em unidades especializadas de oncologia, como as Unacons e os Cacons.
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Quais são os outros sintomas comuns do câncer de mama?
Além do nódulo na mama, sintoma mais característico, é possível observar outros sinais e sintomas importantes:
- Alterações no formato ou tamanho da mama;
- Enrugamento da pele, semelhante a uma casca de laranja;
- Secreção anormal pelo mamilo;
- Caroço na axila;
- Mamilo invertido;
- Inchaço em parte ou em toda a mama;
- Dor na mama ou no mamilo;
- Vermelhidão na mama.
É importante comunicar a um médico imediatamente qualquer alteração nas mamas, uma vez que a detecção precoce é primordial para o sucesso do tratamento.

Quais são os tratamentos para câncer de mama?
O tratamento é definido de acordo com o tipo e o estágio do tumor, suas características biológicas e as condições individuais da paciente. Entre as opções estão:
- Cirurgia: pode envolver a retirada do tumor, cirurgia conservadora ou mastectomia.
- Radioterapia: utiliza radiação para destruir ou impedir o crescimento de células tumorais.
- Quimioterapia: utiliza medicamentos que atuam sobre células cancerígenas.
- Hormonioterapia: há indicação quando o tumor apresenta receptores hormonais.
- Terapias-alvo: medicamentos dirigidos a características específicas do tumor, como o HER2 em determinados casos.
- Imunoterapia: pode ser utilizada em situações específicas, conforme as características do câncer.
Em muitos casos, há a combinação de mais de uma modalidade. O INCA reforça que a escolha depende do estadiamento, das características biológicas do tumor e das condições da paciente.
Como prevenir o câncer de mama?
Não existe uma forma de eliminar completamente o risco de câncer de mama, mas algumas medidas ajudam a reduzir fatores de risco modificáveis.
O INCA recomenda, entre outras medidas, praticar atividade física, manter o peso corporal adequado, ter uma alimentação saudável e evitar o consumo de bebidas alcoólicas.
A atividade física, por exemplo, está associada à proteção contra diferentes tipos de câncer, incluindo o de mama. O INCA atualizou suas orientações sobre o tema em janeiro de 2026.
O aleitamento materno também exerce efeito protetor contra o câncer de mama, e o benefício tende a ser maior quanto maior for o período de amamentação. O INCA relaciona esse efeito à menor exposição a determinados hormônios e à eliminação de células mamárias que apresentam mutações.
Além da prevenção, o acompanhamento adequado permite investigar alterações suspeitas rapidamente. O rastreamento e a investigação de sintomas são estratégias diferentes e não devem ser confundidos.
Como o teste farmacogenético pode ajudar na prevenção e tratamento?
O teste farmacogenético não previne nem diagnostica o câncer de mama. Seu papel é diferente: ele pode fornecer informações genéticas relacionadas à forma como o organismo tende a metabolizar, responder ou apresentar toxicidade diante de determinados medicamentos.
No contexto oncológico, essas informações podem auxiliar o médico na avaliação de medicamentos para o tratamento, especialmente quando existem associações gene-fármaco respaldadas por evidências científicas.
A GnTech oferece o OncoGene, teste farmacogenético voltado à oncologia que analisa informações relacionadas à resposta, toxicidade e metabolização de medicamentos utilizados em tratamentos oncológicos, incluindo antineoplásicos, imunossupressores, antieméticos e analgésicos.
É importante diferenciar essa proposta dos testes genéticos preditivos para câncer hereditário. Por exemplo, o Teste Genético Preditivo Câncer de Mama e Ovário analisa os genes BRCA1 e BRCA2 para investigar alterações associadas ao risco aumentado de câncer hereditário.
Esse é um exame de avaliação de predisposição, não um teste farmacogenético.
Assim, cada exame responde a uma pergunta diferente: um investiga risco genético para desenvolver determinados tumores, enquanto o outro busca informações que podem apoiar decisões relacionadas aos medicamentos utilizados no tratamento.
Conte com a GnTech na prevenção ao câncer de mama
O câncer de mama reúne diferentes tipos de tumores, comportamentos e possibilidades terapêuticas. Por isso, o cuidado precisa considerar o diagnóstico, o estágio da doença, as características do tumor e as condições de cada paciente.
Além do diagnóstico e do tratamento adequados, recursos de medicina personalizada podem acrescentar informações ao processo de decisão. No caso da farmacogenética, essas informações são complementares e o médico faz sua interpretação dentro do contexto clínico.
A GnTech atua com testes farmacogenéticos para oncologia, incluindo o OncoGene, desenvolvido para fornecer informações sobre medicamentos de interesse oncológico.
Perguntas frequentes sobre câncer de mama
Confira o que todos perguntam sobre câncer de mama.
Não é possível definir a cura apenas pelo tipo. O prognóstico depende do tumor, estágio, características biológicas e resposta ao tratamento.
Não existe um prazo único. Alguns tumores crescem rapidamente, enquanto outros evoluem mais lentamente. O comportamento depende das características da doença.
Qual o câncer de mama mais agressivo?
Não existe um único tipo universalmente mais agressivo. O comportamento depende das características biológicas e do estágio do tumor.
O câncer de mama pode não causar dor. Quando há sintomas, alterações como nódulo, pele modificada ou secreção no mamilo merecem avaliação médica.
O crescimento varia conforme as características do tumor. Alguns cânceres evoluem mais rapidamente, enquanto outros apresentam crescimento mais lento.



