Anfetamina: entenda efeitos, riscos, uso médico e relação com o tratamento do TDAH
- Por Guido Boabaid
- Tempo: 11 minutos
Anfetamina é o nome dado a uma classe de substâncias estimulantes do sistema nervoso central, capazes de interferir no estado de alerta, na energia, no sono, no apetite e na atividade cerebral.
O termo costuma ser associado à dependência, a drogas ilícitas, a medicamentos para emagrecer e aos chamados “rebites”. No entanto, também existem derivados anfetamínicos utilizados em tratamentos médicos específicos, sob prescrição e acompanhamento profissional.
Por isso, a anfetamina não deve ser tratada como um único bloco. Os efeitos e riscos variam conforme a substância, a dose, a via de uso, a finalidade e as características de cada paciente.
Neste conteúdo, você entenderá como essas substâncias agem, quais medicamentos têm relação com essa classe, por que alguns derivados são usados no Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e como o seu DNA pode oferecer informações complementares para um cuidado mais individualizado.
Sumário
O que a anfetamina faz?
A anfetamina estimula o sistema nervoso central e aumenta a atividade de neurotransmissores relacionados à atenção, à vigília, à energia e à recompensa, principalmente dopamina e noradrenalina.
Esse efeito pode aumentar o estado de alerta e a disposição, além de reduzir o sono e o apetite. Conforme explica o Manual MSD sobre os efeitos das anfetaminas, também podem ocorrer euforia e sensação de bem-estar, especialmente no contexto de uso inadequado.
O efeito farmacológico, porém, não determina sozinho a segurança. Há uma diferença importante entre um medicamento de dose controlada e o consumo de estimulantes sem indicação, em doses elevadas ou com finalidade recreativa.
Uso medicinal e terapêutico
Algumas substâncias da classe das anfetaminas ou farmacologicamente relacionadas podem ser utilizadas em condições específicas, principalmente no TDAH.
Quando bem indicados, determinados estimulantes podem contribuir para o controle da desatenção, da impulsividade, da hiperatividade e das dificuldades de organização. O objetivo não é provocar euforia ou manter a pessoa acordada por períodos excessivos, mas reduzir prejuízos funcionais associados ao transtorno.
Entre os medicamentos usados em pacientes selecionados está a lisdexanfetamina. A indicação exige avaliação de fatores como:
- Histórico cardiovascular;
- Pressão arterial e frequência cardíaca;
- Qualidade do sono e alimentação;
- Presença de ansiedade, alterações de humor ou outros transtornos;
- Medicamentos usados simultaneamente;
- Histórico pessoal ou familiar de dependência;
- Efeitos adversos apresentados ao longo do acompanhamento.
A lisdexanfetamina integra a lista de substâncias sujeitas a controle especial da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Sua dispensação, portanto, depende da receita exigida pelas normas sanitárias.
Vale reforçar: ter relação farmacológica com as anfetaminas não torna o tratamento ilícito. Da mesma forma, a existência de uso médico não significa que qualquer anfetamina seja segura.
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Riscos e efeitos colaterais das anfetaminas
Os efeitos colaterais das anfetaminas variam conforme a substância, a dose, a frequência, a via de uso e o histórico do paciente.
Em tratamentos controlados, as reações podem ser acompanhadas pelo médico. No uso abusivo ou sem procedência, os efeitos são menos previsíveis e podem se tornar graves.
Entre os possíveis efeitos, estão:
- Insônia;
- Boca seca;
- Redução do apetite;
- Ansiedade e agitação;
- Irritabilidade;
- Dor de cabeça;
- Tremores;
- Palpitações e taquicardia;
- Aumento da pressão arterial;
- Sudorese;
- Náuseas.

Durante um tratamento prescrito, o aparecimento de uma reação não significa que o medicamento deva ser interrompido por conta própria. O médico precisa avaliar a intensidade do sintoma, a dose e a necessidade de ajuste.
Riscos do uso abusivo
O consumo repetido sem acompanhamento pode causar tolerância, dependência, alterações de humor, piora do sono e problemas cardiovasculares.
Em situações graves, podem ocorrer:
- Paranoia ou psicose;
- Depressão na abstinência;
- Hipertermia;
- Convulsões;
- Arritmias;
- Infarto ou acidente vascular cerebral;
- Perda intensa de peso;
- Overdose.
Segundo o Manual MSD, uma overdose de anfetaminas pode provocar agitação extrema, delírio, hipertermia, infarto ou acidente vascular cerebral.
Dor no peito, falta de ar, desmaio, convulsão, alucinações, febre elevada ou agitação intensa exigem atendimento médico imediato.
Também é necessário buscar ajuda quando a pessoa precisa aumentar continuamente a dose, não consegue reduzir o consumo ou continua usando a substância apesar dos prejuízos físicos, emocionais ou profissionais.
Qual remédio tem anfetamina?
Alguns medicamentos controlados podem conter anfetamina, derivados anfetamínicos ou outros estimulantes com mecanismos relacionados. A indicação e a disponibilidade dependem da legislação, do registro sanitário e da avaliação médica.
Um exemplo utilizado no tratamento do TDAH é a lisdexanfetamina. Após ser absorvida, ela é convertida pelo organismo em dexanfetamina, responsável por sua atividade farmacológica.
Ela não deve ser confundida com o metilfenidato. Embora os dois sejam estimulantes usados no TDAH, o metilfenidato pertence a outra classe química.
Também existem substâncias historicamente associadas ao emagrecimento, como:
- Anfepramona;
- Femproporex;
- Mazindol.
Esses compostos não devem ser confundidos com medicamentos indicados para o TDAH. A Anvisa informa que medicamentos com anfepramona, femproporex ou mazindol precisam comprovar eficácia, segurança e qualidade para obter registro sanitário.
Quais anfetaminas são liberadas no Brasil?
No Brasil, o uso de substâncias anfetamínicas depende das regras da Anvisa, do tipo de controle especial, da existência de medicamentos registrados e da prescrição exigida. Anfetamina, dexanfetamina e lisdexanfetamina integram as listas de substâncias controladas. A classificação e as exigências podem ser consultadas na RDC nº 871/2024, que atualiza as listas de substâncias controladas no Brasil.
Anfepramona, femproporex e mazindol aparecem nas discussões regulatórias sobre anorexígenos. Entretanto, estar em uma lista de controle não significa possuir medicamento registrado e disponível para venda.
A própria Anvisa esclarece que a liberação por lei não substitui o processo de registro sanitário dos anorexígenos.
Por isso, notícias antigas sobre a “liberação” dessas substâncias devem ser interpretadas considerando as normas atuais. A disponibilidade pode ser confirmada na consulta de medicamentos e produtos regularizados pela Anvisa.
“Ser controlado” ou “ser permitido” também não significa ser seguro para qualquer pessoa. O uso exige prescrição, avaliação de contraindicações e acompanhamento profissional.
Anfetamina e TDAH: qual é a relação?
A relação entre anfetamina e TDAH está no uso de alguns medicamentos estimulantes, como a lisdexanfetamina, que atuam em neurotransmissores envolvidos na atenção, na impulsividade e no controle executivo.
Esses fármacos podem ser indicados quando os sintomas prejudicam os estudos, o trabalho, a organização da rotina ou as relações pessoais.

É comum que pacientes e familiares sintam receio ao descobrir que o tratamento tem relação com anfetaminas. No entanto, um medicamento prescrito não equivale a uma substância adquirida de forma ilícita. Ele possui formulação, dose, controle de qualidade e indicação definidos.
Além disso, nem todo tratamento para TDAH envolve derivados anfetamínicos. Existem outros estimulantes, como o metilfenidato, e opções não estimulantes, como a atomoxetina.
O tratamento medicamentoso do TDAH pode envolver diferentes tipos de psicoestimulantes, escolhidos de acordo com os sintomas, a idade, as condições de saúde e a resposta do paciente.
Durante o acompanhamento, o médico pode monitorar sono, apetite, peso, humor, pressão arterial, frequência cardíaca e redução dos sintomas.
Dependendo do caso, o tratamento também pode incluir psicoterapia, orientação familiar, adaptações escolares e estratégias de organização.
Por que a resposta a derivados anfetamínicos varia entre pacientes?
Cada organismo pode responder de maneira diferente aos medicamentos estimulantes. Um fármaco que oferece bom controle dos sintomas para uma pessoa pode apresentar baixa efetividade ou provocar efeitos mais intensos em outras.
Essa variação pode estar relacionada a:
- Idade e peso;
- Alimentação e qualidade do sono;
- Condições cardiovasculares;
- Ansiedade, depressão ou outros transtornos;
- Funcionamento do fígado e dos rins;
- Uso de outros medicamentos;
- Adesão à dose e aos horários;
- Variações genéticas.
Por isso, alguns pacientes precisam ajustar a dose, o horário, a formulação ou o próprio medicamento.
A genética também pode fazer parte desse mapa individual. Variações no DNA podem influenciar vias relacionadas à metabolização, à ação dos fármacos e à predisposição a efeitos adversos.
Essas informações não permitem prever perfeitamente a resposta, mas podem complementar a avaliação médica e tornar as decisões mais direcionadas.
Como a farmacogenética pode apoiar o uso seguro de medicamentos para TDAH?
A farmacogenética estuda como variações genéticas podem influenciar a metabolização, a resposta e a tolerabilidade aos medicamentos.
O seu DNA funciona como um mapa que reúne informações sobre algumas particularidades do organismo. Ao analisar genes associados à resposta medicamentosa, o exame acrescenta dados ao histórico clínico e à avaliação realizada pelo médico.
Como funciona o PsicoGene TDAH?
O Teste Farmacogenético PsicoGene TDAH, da GnTech, analisa variações genéticas relacionadas à resposta e à tolerabilidade a medicamentos utilizados no tratamento do transtorno.
O painel reúne informações sobre fármacos como lisdexanfetamina, metilfenidato e atomoxetina, que podem ser avaliadas pelo médico em conjunto com o diagnóstico, o histórico de saúde e a evolução clínica.
O exame pode ser especialmente considerado quando:
- Há baixa resposta às primeiras opções;
- Surgem efeitos adversos relevantes;
- Já ocorreram diferentes trocas ou ajustes;
- Existe receio de iniciar o tratamento;
- O médico deseja incorporar dados genéticos à decisão.
O laudo não substitui o julgamento clínico, portanto seu valor está em ampliar as informações disponíveis e ajudar o profissional a compreender como o organismo do paciente pode responder aos medicamentos.
Uso seguro de medicamentos começa com informação e acompanhamento
Anfetamina é um termo que reúne contextos muito diferentes. Existem substâncias usadas de forma ilícita ou abusiva, mas também há derivados presentes em medicamentos controlados para condições como o TDAH.
A diferença está na formulação, na indicação, na dose, na procedência, no acompanhamento e no perfil de cada pessoa.
A GnTech é uma healthtech pioneira em farmacogenética no Brasil. No contexto do TDAH, o PsicoGene TDAH pode oferecer informações sobre variações genéticas relacionadas à resposta e à tolerabilidade a medicamentos.
Conheça o Teste Farmacogenético PsicoGene TDAH e converse com seu médico sobre como a genética pode apoiar um tratamento mais seguro e individualizado.
Perguntas frequentes sobre anfetamina
Sim. O risco é maior quando a substância é usada sem prescrição, em doses elevadas ou por períodos prolongados.
Sim. Algumas anfetaminas têm uso médico controlado, enquanto outras são ilícitas ou utilizadas indevidamente.
Não. Ambas estimulam o sistema nervoso central, mas pertencem a classes químicas diferentes.
A redução do apetite pode causar perda de peso, mas o uso inadequado apresenta riscos cardiovasculares, psiquiátricos e de dependência.
Alguns derivados, como a lisdexanfetamina, podem ser prescritos após diagnóstico e avaliação médica.
A lisdexanfetamina é um pró-fármaco convertido pelo organismo em dexanfetamina.
Não. Elas são relacionadas, mas possuem características, potência e riscos diferentes.
Sim. Ansiedade, agitação e irritabilidade podem ocorrer e devem ser comunicadas ao médico.
Sim. Doses elevadas e uso abusivo podem provocar paranoia, delírios ou alucinações.
As contraindicações variam conforme o medicamento e incluem algumas condições cardiovasculares e psiquiátricas.
Não isoladamente. O exame oferece informações complementares, mas a decisão depende da avaliação médica.



