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Ansiedade infantil: sintomas, sinais de alerta e como ajudar a criança

Ansiedade infantil é uma condição que pode afetar emoções, comportamento e desenvolvimento da criança.
  • Por Larissa Speck
  • maio 20, 2026
  • Tempo: 8 minutos

Ansiedade infantil vai muito além dos medos naturais que fazem parte do desenvolvimento da criança. 

Quando preocupações, inseguranças e receios passam a surgir de forma intensa, frequente e começam a interferir no comportamento, na rotina ou na convivência social, esse quadro pode impactar o bem-estar emocional e até o desenvolvimento infantil.

Os sinais podem ser diferentes em cada criança: algumas apresentam sintomas como dores de barriga e alterações do sono, outras podem demonstrar irritabilidade, apego excessivo aos pais ou queda no rendimento escolar. 

Entender esses (e outros) sinais e saber quando buscar ajuda profissional é um passo importante para oferecer suporte adequado, acolhimento e um cuidado mais individualizado para a criança e sua família.

Sumário

  • Quais os sintomas da ansiedade infantil?
  • Principais tipos de sintomas de ansiedade em crianças
    • Sintomas físicos
    • Sintomas comportamentais
    • Sintomas emocionais
  • Como tratar a ansiedade da criança?
    • Quando procurar ajuda profissional
  • Ansiedade infantil e a importância da personalização do cuidado
  • Perguntas frequentes sobre ansiedade infantil

Quais os sintomas da ansiedade infantil?

Os sintomas da ansiedade infantil podem aparecer por meio de sinais físicos, emocionais e mudanças no comportamento que começam a interferir na rotina, no aprendizado e nas relações da criança. 

Embora um certo grau de ansiedade seja esperado em diferentes fases do desenvolvimento, o alerta surge quando os sintomas se tornam persistentes, intensos ou passam a limitar as atividades do dia a dia.

A atenção para esse tema também aumentou nos últimos anos. 

No estado de São Paulo, o número de atendimentos de crianças e adolescentes com transtornos de ansiedade passou de 1.376 casos em 2019 para 7.195 em 2024. Somente entre janeiro e julho de 2025, mais 5.334 atendimentos já haviam sido registrados.

Outro ponto importante a considerar é: nem sempre a criança consegue explicar o que está sentindo. Em muitos casos, a ansiedade aparece através do corpo ou de comportamentos que podem ser confundidos com timidez, irritabilidade ou até desinteresse. 

Por isso, observar mudanças frequentes na rotina pode ajudar pais, familiares e professores a identificar sinais precoces.

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Principais tipos de sintomas de ansiedade em crianças

A ansiedade pode se manifestar por sinais físicos, mudanças no comportamento e alterações emocionais que passam a interferir na rotina, no convívio social e no desenvolvimento da criança. 

Além disso, é importante diferenciar reações pontuais, comuns em situações novas ou desafiadoras, de sintomas persistentes que se repetem com frequência e começam a limitar a rotina.

Uma criança pode sentir medo antes de uma apresentação na escola ou ficar mais insegura diante de mudanças no cotidiano, por exemplo. Isso faz parte do desenvolvimento.

O sinal de alerta surge quando os sintomas se tornam intensos, duradouros ou começam a afetar o sono, o desempenho escolar, as relações sociais e o bem-estar.

Sintomas físicos

A ansiedade infantil pode provocar sintomas físicos reais, mesmo quando não existe uma causa clínica identificada. Isso acontece porque o estado de alerta constante ativa respostas do organismo que podem afetar diferentes sistemas do corpo.

Entre os sinais físicos mais comuns estão:

  • Dor de cabeça frequente;
  • Dor de barriga sem causa aparente;
  • Palpitações;
  • Fadiga ou cansaço excessivo;
  • Tensão muscular;
  • Falta de ar;
  • Alterações no sono;
  • Náuseas ou desconfortos gastrointestinais.

Muitas vezes, esses sintomas aparecem antes de situações específicas, como ir à escola, participar de eventos ou se afastar dos pais. 

Então, quando exames descartam causas médicas, é importante considerar também a possibilidade de um componente emocional relacionado à ansiedade.

Sintomas comportamentais

Mudanças de comportamento também podem ser sinais importantes. Algumas crianças passam a demonstrar comportamentos de evitação, enquanto outras apresentam maior irritabilidade ou dificuldade para lidar com situações do cotidiano.

Entre os sintomas comportamentais mais observados estão:

  • Apego excessivo aos pais ou cuidadores;
  • Choro frequente;
  • Agitação intensa;
  • Roer unhas;
  • Isolamento;
  • Recusa escolar;
  • Medo excessivo diante de situações comuns.

Uma reportagem recente sobre saúde mental infantil trouxe o alerta da psicóloga clínica Christiane Marques sobre a importância de observar mudanças repentinas no comportamento:

“A ansiedade se torna uma patologia quando começa a limitar a vida social, criando dificuldades de socialização ou de desenvolvimento escolar.”

Segundo a especialista, crianças que antes eram sociáveis e passam a evitar interações, apresentam isolamento ou recusam atividades que faziam parte da rotina, podem estar demonstrando sinais que merecem atenção.

Sintomas emocionais

Nem todos os sintomas são visíveis. Muitas crianças têm dificuldade para explicar o que sentem e podem expressar a ansiedade através das emoções.

Os sinais emocionais mais frequentes incluem:

  • Preocupação excessiva;
  • Medo constante;
  • Insegurança;
  • Irritabilidade;
  • Dificuldade para lidar com mudanças;
  • Sensação frequente de que algo ruim pode acontecer.

Dependendo da idade, a criança pode não conseguir nomear essas emoções. Por isso, observar mudanças persistentes de humor, comportamentos e hábitos pode ajudar pais, familiares e professores a identificar precocemente sinais de sofrimento emocional.

Como tratar a ansiedade da criança?

O tratamento da ansiedade infantil depende das necessidades individuais de cada criança e pode envolver apoio familiar, psicoterapia e acompanhamento multiprofissional. 

Além de reduzir sintomas, o objetivo é ajudar a criança a compreender suas emoções, desenvolver recursos para lidar com situações desafiadoras e preservar seu desenvolvimento emocional, social e escolar.

Veja algumas abordagens que podem fazer parte do tratamento da ansiedade infantil:

EstratégiaComo pode ajudar na prática
PsicoterapiaO psicólogo infantil trabalha ferramentas para identificar emoções, desenvolver habilidades socioemocionais e ensinar formas mais saudáveis de lidar com medos e preocupações.
Participação da famíliaEscuta ativa, acolhimento e participação nas recomendações terapêuticas ajudam a trazer mais segurança emocional para a criança.
Ambiente acolhedorRotinas previsíveis, redução de estímulos estressantes e espaços seguros para diálogo ajudam a diminuir a sensação de insegurança e tensão.
Estratégias de regulação emocionalExercícios de respiração, atividades lúdicas, práticas de relaxamento e estímulo à expressão dos sentimentos podem ajudar a criança a lidar melhor com situações de ansiedade.

É importante lembrar que, como cada criança manifesta a ansiedade de forma diferente, o que funciona para uma pode não produzir o mesmo resultado para outra. 

Por isso, o tratamento da ansiedade infantil deve respeitar características individuais, necessidades emocionais e o contexto familiar.

Quando procurar ajuda profissional

Buscar apoio profissional é importante quando os sinais de ansiedade deixam de ser situações pontuais e começam a interferir no desenvolvimento e na rotina da criança. 

Alguns sinais merecem atenção:

  • Prejuízo escolar: queda no rendimento, dificuldade de concentração ou recusa frequente em ir à escola;
  • Alterações importantes do sono: dificuldade para dormir, pesadelos frequentes ou sono excessivo;
  • Isolamento social: afastamento de amigos, familiares ou perda do interesse em atividades antes prazerosas;
  • Sintomas persistentes: dores físicas recorrentes, medos intensos ou preocupações excessivas que permanecem por semanas;
  • Sofrimento emocional: irritabilidade constante, crises de choro, insegurança intensa ou dificuldade para lidar com emoções.

O acompanhamento com psicólogo infantil ou outros profissionais de saúde mental infantil pode ajudar a identificar as causas e construir estratégias adequadas para promover o desenvolvimento infantil e o bem-estar emocional.

Ansiedade infantil e a importância da personalização do cuidado

A ansiedade infantil pode surgir pela interação de diferentes fatores, incluindo aspectos emocionais, ambientais, familiares, biológicos e genéticos. Por isso, duas crianças com sintomas parecidos podem apresentar respostas diferentes ao acompanhamento e às estratégias terapêuticas adotadas.

Em alguns casos, quando há necessidade de tratamento medicamentoso, essa individualidade também pode influenciar a forma como o organismo responde ao medicamento, afetando tanto a eficácia quanto a intensidade de possíveis efeitos adversos. 

A farmacogenética é uma ferramenta de apoio à decisão médica nesse contexto, pois ajuda a compreender como características genéticas interferem na resposta ao tratamento.

Conheça o Teste Farmacogenético PsicoGene Pro e descubra como a personalização do cuidado pode contribuir para decisões muito melhores e mais seguras no tratamento, seja infantil ou adulto.

Perguntas frequentes sobre ansiedade infantil

Confira as respostas a seguir:

Por que a ansiedade ataca o estômago?

A ansiedade pode provocar sintomas no sistema digestivo porque existe uma conexão direta entre cérebro e intestino, conhecida como eixo cérebro-intestino. Durante períodos de estresse ou preocupação intensa, o organismo libera substâncias que podem alterar o funcionamento gastrointestinal.

Ansiedade pode causar dor no ombro?

Sim. A ansiedade pode aumentar a tensão muscular e provocar desconfortos físicos em diferentes regiões do corpo, incluindo ombros, pescoço e costas. Quando a criança permanece em estado constante de alerta ou estresse, a musculatura tende a ficar mais contraída, favorecendo dores e sensação de rigidez.

Como saber se a ansiedade da criança ultrapassou o esperado para a idade?

A frequência, a intensidade e o impacto na rotina ajudam a diferenciar preocupações comuns de sinais de alerta. Quando medos, sintomas físicos ou mudanças comportamentais passam a interferir no sono, na escola, nas relações sociais ou no bem-estar emocional, pode ser importante buscar acompanhamento profissional.

Foto de Larissa Speck

Larissa Speck

Jornalista com MBA em marketing digital. Atua há 2 anos como analista de conteúdo e mídias sociais na GnTech. Ama produzir conteúdos sobre saúde mental, filmes e séries.

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