Ansiolíticos mais usados: conheça os principais medicamentos para ansiedade
- Por Guido Boabaid
- Tempo: 9 minutos
Os ansiolíticos mais usados pertencem a diferentes classes de medicamentos indicados para o tratamento da ansiedade. No entanto, não existe um único remédio que seja ideal para todos os pacientes, já que a individualização do tratamento é imprescindível para uma resposta melhor do organismo.
A escolha do ansiolítico mais recomendável depende do diagnóstico, da intensidade dos sintomas, do histórico clínico do paciente, do risco de dependência e da resposta individual ao tratamento.
Neste artigo, apresentaremos os remédios mais prescritos por psiquiatras para tratar transtornos de ansiedade, explicaremos quais são seus riscos e efeitos colaterais e mostraremos qual é o papel da farmacogenética na escolha do ansiolítico ideal para cada um. Acompanhe!
Sumário
Quais são os ansiolíticos usados?
Alguns dos ansiolíticos mais usados são os benzodiazepínicos, como clonazepam, bromazepam, diazepam, alprazolam e lorazepam. Em geral, clonazepam e alprazolam lideram as prescrições médicas, por eficácia e perfil farmacocinético, mas existem outras opções.
Antidepressivos de uso contínuo, como sertralina, escitalopram, fluoxetina e paroxetina também são amplamente prescritos para o tratamento de ansiedade, sobretudo em casos crônicos. E, como complemento terapêutico, também há alternativas como buspirona, pregabalina, gabapentina e propranolol.
Veja quais são os principais tipos a seguir:
Benzodiazepínicos (tarja preta)
Os benzodiazepínicos são os ansiolíticos mais conhecidos e utilizados para alívio rápido dos sintomas de ansiedade.
Eles agem diretamente no sistema nervoso central, têm um início rápido, mas apresentam um risco considerável de tolerância e dependência. Os principais são clonazepam, alprazolam, bromazepam, lorazepam e diazepam.
Antidepressivos de uso contínuo
Médicos consideram os antidepressivos de uso contínuo, como os das classes ISRS e IRSN, a base de muitos tratamentos para transtornos de ansiedade, sobretudo nos quadros crônicos.
O efeito deles não é imediato e costuma levar algumas semanas para aparecer. No entanto, são medicações que apresentam melhor perfil para uso prolongado. É o caso de remédios como sertralina, escitalopram, fluoxetina e paroxetina.
Outros ansiolíticos específicos
Como dito, há, ainda, alternativas utilizadas em situações específicas ou como complemento terapêutico, como buspirona, pregabalina, gabapentina e propranolol.
A buspirona atua como agonista parcial dos receptores 5-HT1A, com efeito ansiolítico mais lento e uso típico na ansiedade generalizada.
A pregabalina e gabapentina, por sua vez, reduzem a liberação de neurotransmissores excitatórios, e podem ser úteis quando há ansiedade associada a dor, insônia ou baixa resposta a outros tratamentos.
Já o propranolol é um betabloqueador que reduz os sintomas físicos da ansiedade, como tremor, taquicardia e sudorese, e não é tão indicado em casos crônicos.
Confira na tabela a seguir a classe, a principal indicação, o tempo de ação e o risco de dependência de cada medicamento utilizado em quadros de ansiedade.
Medicamento Classe Principal indicação Tempo de ação Risco de dependência Clonazepam Benzodiazepínico Transtorno do pânico e convulsões/epilepsia Ação longa Moderado a alto, principalmente com uso contínuo Bromazepam Benzodiazepínico Ansiedade Ação intermediária Moderado, com maior risco em uso prolongado Diazepam Benzodiazepínico Ansiedade, espasmos musculares, convulsões e abstinência alcoólica Ação longa Moderado a alto Alprazolam Benzodiazepínico Transtorno de ansiedade e pânico Ação intermediária, com início relativamente rápido Alto, com maior risco de abuso e abstinência Lorazepam Benzodiazepínico Ansiedade aguda, agitação e crises convulsivas Ação intermediária Moderado a alto Sertralina ISRS Depressão, transtornos de ansiedade, pânico, TOC e TEPT Início gradual, com efeito clínico em algumas semanas Baixo: não gera dependência clássica, mas pode haver sintomas de descontinuação Escitalopram ISRS Depressão e transtornos de ansiedade Início gradual, com efeito clínico em algumas semanas Baixo; sem dependência clássica Fluoxetina ISRS Depressão, ansiedade e TOC Início gradual, com efeito clínico em algumas semanas Baixo, mas pode haver sintomas ao interromper Paroxetina ISRS Depressão, ansiedade, pânico e TOC Início gradual, com efeito clínico em algumas semanas Baixo, sem dependência clássica, porém, com maior chance de sintomas de retirada entre os ISRS
Aproveite e assista ao vídeo abaixo para entender um pouco melhor:
Como os ansiolíticos atuam no organismo?
Cada ansiolítico age de uma forma no organismo do paciente, uma vez que medicamentos diferentes atuam em sistemas neuroquímicos distintos. Em geral, eles agem “baixando o volume” de circuitos cerebrais que estão hiperativados na ansiedade, só que fazem isso por caminhos diferentes.
Alguns medicamentos, como os benzodiazepínicos, reforçam a ação do GABA e têm efeito imediato. Já os antidepressivos das classes ISRS e IRSN ajustam a serotonina e a noradrenalina ao longo do tempo, por isso médicos os indicam com mais frequência para sintomas persistentes de ansiedade.
Em termos simples, o GABA funciona como um “freio” do sistema nervoso central. Quando esse freio está mais forte, há redução na excitabilidade, na tensão e na sensação de alerta excessivo.
Já a serotonina e a noradrenalina participam da regulação do humor, da antecipação de ameaça e da resposta ao estresse, por isso, medicamentos que modulam esses sistemas podem aliviar a ansiedade de forma gradativa.
Isso explica por que um remédio pode ser escolhido para crise aguda, enquanto outro é preferível para tratamento de manutenção, mesmo que ambos sejam considerados remédios para a ansiedade.
A razão de existirem medicamentos diferentes para quadros parecidos é que a ansiedade não é uma condição biológica com sintomas universais. Em algumas pessoas, ela se manifesta por hiperativação física. Em outras, pode haver pânico, insônia, dor ou depressão associados.
Dessa forma, o tratamento deve ser escolhido conforme o padrão de sintomas, a urgência da necessidade de aliviá-los e o perfil de segurança do medicamento.
Qual é o ansiolítico mais forte?
Não existe um “ansiolítico mais forte” universalmente, o que existe é o mais indicado para cada um. A potência, a duração do tratamento, o objetivo terapêutico e o perfil do paciente influenciam a escolha do psiquiatra.
Além disso, medicamentos mais potentes nem sempre representam um tratamento melhor. O médico precisa indicar o remédio de acordo com o perfil do paciente e com os sintomas específicos que precisam ser tratados.
O médico também precisa considerar a genética na hora da prescrição, já que variações genéticas podem afetar a forma como o organismo metaboliza vitaminas importantes e, com isso, influenciar o tratamento da ansiedade.
Mais especificamente, mutações no gene MTHFR podem comprometer a conversão do ácido fólico em metilfolato, forma ativa essencial para a síntese de neurotransmissores como serotonina, noradrenalina e dopamina.
Isso pode afetar o tratamento de ansiedade, depressão e outros transtornos mentais, mesmo com a medicação adequada.
A identificação dessas mutações por meio de um teste farmacogenético, como os da GnTech, pode ajudar os médicos a traçarem estratégias personalizadas que melhorem a resposta terapêutica.
Efeitos colaterais e riscos dos ansiolíticos
O efeito esperado de um ansiolítico, seja ele qual for, é o seu benefício terapêutico, ou seja, é o que se busca tratar: o alívio dos sintomas da ansiedade.
A reação adversa, por outro lado, é um efeito colateral indesejado, enquanto o risco prolongado é o dano que tende a surgir ou aumentar quando o uso do medicamento se estende por muito tempo.
Alguns dos principais efeitos colaterais dos ansiolíticos são:
- Dependência;
- Tolerância;
- Sonolência;
- Alterações cognitivas;
- Interações medicamentosas.
Note, porém, que esses efeitos adversos variam de medicamento para medicamento. Os benzodiazepínicos têm um risco mais alto de levar a tolerância e dependência, por exemplo, o que não acontece com os ISRSs.
Resposta individual e medicina personalizada nos tratamentos para ansiedade
Os pacientes podem responder de forma completamente diferente ao mesmo medicamento, dependendo da sua metabolização, da variabilidade genética, da eficácia terapêutica do medicamento e da tolerabilidade.
É por isso que, durante os tratamentos para ansiedade, é muito comum haver tentativa e erro, com mudanças frequentes na prescrição, uma vez que nem sempre o medicamento funciona de primeira. Só que esse não é, nem de longe, o melhor caminho, como fica claro no vídeo abaixo:
Por isso, a medicina personalizada e a individualização do cuidado, que pode ser apoiada pela farmacogenética, são tão importantes!
Ansiolíticos mais usados e a influência da farmacogenética na escolha do tratamento
Conforme você viu no conteúdo, os ansiolíticos mais usados não devem ser prescritos apenas por essa razão. Cada prescrição deve considerar as necessidades e o contexto de cada paciente, uma vez que a escolha do ansiolítico ideal depende de múltiplos fatores clínicos e biológicos.
A farmacogenética auxilia os médicos a compreender as diferenças individuais de metabolização e resposta terapêutica, o que contribui diretamente para tratamentos mais seguros e assertivos, sem tentativa e erro.
Conheça os testes farmacogenéticos da GnTech e aumente a eficácia do seu tratamento para a ansiedade.
Perguntas frequentes sobre ansiolíticos mais usados
Não fique com nenhuma dúvida! Confira abaixo as respostas para as perguntas mais comuns sobre esse assunto.
A escolha do ansiolítico depende da avaliação cardiológica e psiquiátrica individual, que deve levar em conta os riscos e benefícios.
Doenças hepáticas podem exigir ajustes de dose ou monitoramento específico, daí a necessidade de sempre tomar remédios com acompanhamento médico.
Não. A automedicação com psicofármacos é perigosa e pode causar efeitos adversos graves, bem como dependência e interações medicamentosas. É necessário ter prescrição e acompanhamento médico.



