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Ansiolítico: o que é, para que serve e como escolher o tratamento mais adequado

Ansiolítico é um medicamento usado para reduzir sintomas de ansiedade, com diferentes classes, efeitos e indicações clínicas.
  • Por Guido Boabaid
  • julho 16, 2024
  • 18/06/2026
  • Tempo: 12 minutos

O ansiolítico é um medicamento conhecido e amplamente utilizado para reduzir sintomas de ansiedade e depressão. Existem diferentes classes, com mecanismos, indicações e riscos diferentes entre si, e entender isso é o primeiro passo para tomar decisões mais conscientes sobre a saúde mental. 

Nos últimos anos, a consciência sobre saúde mental cresceu muito, e esse é um assunto bastante procurado pelas gerações Y e Z. Mas, apesar de inúmeros conteúdos relacionados aos fármacos destinados aos transtornos mentais, ainda existe muita desinformação.

Por isso, neste conteúdo, você tirará todas as suas dúvidas sobre os mitos acerca dos ansiolíticos, bem como seu conceito, suas variações, efeitos colaterais e cuidados.

Vamos lá? 

Sumário

  • O que é ansiolítico e para que serve?
  • Principais classes e exemplos
    • Benzodiazepínicos
    • Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina (ISRS)
    • Inibidores da Recaptação de Serotonina e Noradrenalina (IRSN)
    • Antidepressivos tricíclicos
    • Betabloqueadores
    • Buspirona
    • Anticonvulsivantes
  • Ansiolíticos são usados para tratar quais transtornos?
  • Diferença entre ansiolítico e antidepressivo
    • Ansiolítico e antidepressivo podem ser tomados juntos?
  • Riscos e efeitos colaterais dos ansiolíticos
    • Principais efeitos colaterais
  • Como a farmacogenética pode tornar o tratamento mais assertivo?
  • Ansiolítico e medicina personalizada: por que conhecer sua resposta aos medicamentos faz diferença? 
  • Perguntas frequentes sobre ansiolítico

O que é ansiolítico e para que serve?

Os ansiolíticos são medicamentos que atuam no sistema nervoso central para reduzir sintomas emocionais e físicos da ansiedade, como tensão, preocupação excessiva, taquicardia e insônia. Médicos indicam seu uso para tratamento de transtornos mentais e quadros em que a ansiedade ultrapassa o nível esperado.

Sentir ansiedade em momentos de pressão é uma resposta natural do organismo, mas quando esse estado deixa de ser ocasional e passa a acontecer de forma contínua e com quadros persistentes, o tratamento medicamentoso pode ser necessário, sempre com acompanhamento médico. 

Cenários como esse são mais comuns do que parece. De acordo com uma notícia do UOL, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil tem o maior número de pessoas ansiosas do mundo, chegando a 18,6 milhões de brasileiros afetados pelo transtorno. 

Principais classes e exemplos

O termo “ansiolítico” não representa uma única categoria de medicamento. Na verdade, médicos podem utilizar diferentes classes farmacológicas no tratamento da ansiedade, cada uma com mecanismo de ação, perfil de segurança e indicações diferentes.

As principais classes utilizadas atualmente são:

ClasseMecanismo de açãoInício dos efeitosRisco de dependênciaExemplos de medicamentos
Benzodiazepínicos Potencializam o GABA, reduzindo a atividade do sistema nervoso central Rápido(minutos a horas) Alto Diazepam, alprazolam, clonazepam, lorazepam
Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS) Aumentam a disponibilidade de serotonina no cérebro Gradual (2 a 4 semanas) Baixo Sertralina, escitalopram, fluoxetina 
Inibidores da Recaptação de Serotonina e Noradrenalina (IRSN) Aumentam serotonina e noradrenalina simultaneamente Gradual (2 a 4 semanas) Baixo Venlafaxina, duloxetina 
Buspirona Age em receptores de serotonina e dopamina sem sedação Gradual (2 a 4 semanas) Muito baixo Buspirona 
Antidepressivos tricíclicos Bloqueiam a recaptação de serotonina e noradrenalina Gradual (2 a 4 semanas) Baixo Amitriptilina, imipramina 

Como você pode observar no quadro anterior, existem diversos tipos de ansiolíticos. Cada um representa uma ação diferente no organismo, e são indicados mediante consulta com um médico especialista. 

Veja as principais características de cada um deles em detalhes:

Benzodiazepínicos

São os mais comuns e incluem medicamentos como diazepam (Valium) e alprazolam (Xanax). Agem rapidamente para aliviar a ansiedade, o que os torna úteis em situações agudas. 

Seu uso é indicado para curto prazo, pois podem causar dependência física, sedação e déficits cognitivos com o uso prolongado.

Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina (ISRS)

Incluem fluoxetina (Prozac) e sertralina (Zoloft). São a primeira escolha no tratamento contínuo de transtornos de ansiedade, com menor risco de dependência. 

A limitação é o início de ação gradual. Seus efeitos costumam aparecer entre duas e quatro semanas.

Inibidores da Recaptação de Serotonina e Noradrenalina (IRSN)

Venlafaxina (Effexor) e duloxetina (Cymbalta) são os principais representantes. Atuam em dois sistemas de neurotransmissores simultaneamente, sendo especialmente úteis quando a ansiedade se associa à depressão ou à dor crônica.

Antidepressivos tricíclicos

Amitriptilina e clomipramina são os mais conhecidos. Têm boa eficácia, mas são indicados com menor frequência por apresentarem mais efeitos colaterais, como boca seca, constipação e sedação, em comparação às classes mais modernas.

Betabloqueadores

O propranolol é o mais utilizado. Betabloqueadores não atuam diretamente na ansiedade emocional, mas controlam os sintomas físicos de uma crise de ansiedade, como tremores, taquicardia e sudorese, sendo mais indicados para situações pontuais e de curto prazo.

Buspirona

Ansiolítico não sedativo e sem risco significativo de dependência, sendo uma alternativa para pacientes que não toleram benzodiazepínicos. Sua limitação é o início de ação lento, que pode levar de uma a quatro semanas para apresentar efeito completo.

Anticonvulsivantes

Pregabalina (Lyrica) e gabapentina são utilizados em alguns casos de ansiedade, especialmente quando outros tratamentos não surtem os efeitos esperados ou quando há condições associadas, como dor crônica ou transtorno de estresse pós-traumático.

Ansiolíticos são usados para tratar quais transtornos?

Em geral, esses fármacos tratam uma variedade de transtornos, como, por exemplo: de ansiedade, síndrome do pânico, obsessivo-compulsivo, entre outros. 

Veja todos os detalhes abaixo:

  • Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), uma vez que ajudam a aliviar preocupações excessivas e persistentes; 
  • Síndrome do pânico, reduzindo episódios súbitos de medo intenso;
  • Transtorno de ansiedade social, podem diminuir o medo e a evitação de situações sociais;
  • Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), onde atuam como relaxantes e, como consequência, melhoram a atenção e reduzem a impulsividade;  
  • Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) e Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), embora atuem geralmente como parte de um plano de tratamento mais amplo que inclui psicoterapia.

Além disso, há prescrição de ansiolíticos para combater a insônia, devido à sua capacidade de induzir relaxamento e melhorar o sono. 

Por fim, em alguns casos, quando combinados com fármacos específicos, podem contribuir com o tratamento da depressão. 

Diferença entre ansiolítico e antidepressivo

Os ansiolíticos, especialmente os benzodiazepínicos, atuam de forma mais rápida para aliviar sintomas agudos de ansiedade, como tensão, taquicardia e insônia. Já os antidepressivos, como os ISRS e IRSN, atuam regulando neurotransmissores como a serotonina de forma gradual e contínua. 

Embora o nome remeta à depressão, essas classes são amplamente utilizadas como tratamento de manutenção dos transtornos de ansiedade, justamente por apresentarem menor risco de dependência e efeitos mais duradouros.

Na prática clínica, os dois podem ser usados em conjunto: o ansiolítico oferece alívio imediato nos primeiros dias ou semanas, enquanto o antidepressivo atua no tratamento contínuo da condição. 

Ansiolítico e antidepressivo podem ser tomados juntos?

Sim, ansiolíticos e antidepressivos podem ser tomados juntos, e em muitos casos, essa combinação faz parte de uma estratégia terapêutica bem definida. No entanto, ela deve ser sempre prescrita e monitorada por um médico.

Os antidepressivos geralmente são a primeira linha de tratamento para a ansiedade crônica. Como seu efeito é gradual e pode levar de duas a quatro semanas para se manifestar plenamente, os ansiolíticos entram como suporte nesse período inicial, promovendo alívio mais rápido dos sintomas mais agudos. 

Essa abordagem combinada pode gerar excelentes resultados, mas é importante seguir as orientações médicas à risca para evitar interações medicamentosas e efeitos colaterais indesejados. 

Leia também: Mitos e verdades sobre antidepressivos

Riscos e efeitos colaterais dos ansiolíticos

Os efeitos colaterais dos ansiolíticos não são iguais para todos, mas variam conforme a classe do medicamento, a dose, o tempo de uso e as características individuais de cada paciente. 

De forma geral, os efeitos mais comuns estão relacionados à ação sedativa dos medicamentos, e tendem a ser mais intensos no início do tratamento. Com o tempo, o organismo pode se adaptar, mas esse processo também carrega riscos que merecem atenção.

O uso prolongado é o cenário que exige mais cuidado. Com ele, podem surgir tolerância, quando o organismo passa a responder menos à mesma dose, e dependência física ou psicológica, tornando a interrupção do tratamento um processo que precisa ser gradual e supervisionado pelo médico.

Além disso, também existem situações que exigem acompanhamento mais próximo. 

Por exemplo, pacientes idosos, com doenças respiratórias ou hepáticas, histórico de dependência química ou em uso de outros depressores do sistema nervoso central apresentam maior vulnerabilidade aos efeitos e precisam de avaliação individualizada ao longo de todo o tratamento.

Principais efeitos colaterais

Os ansiolíticos possuem um papel fundamental no tratamento da ansiedade, mas podem causar efeitos colaterais variados de acordo com cada organismo, como sonolência, tontura, confusão mental e náusea.

Entre os efeitos mais comuns, estão: 

Sonolência 

É um dos efeitos mais frequentes, especialmente com benzodiazepínicos. Ela ocorre porque o medicamento desacelera a atividade cerebral e pode ser mais intensa no início do tratamento, após aumento de dose ou em pacientes idosos.

Tontura 

Pode surgir nos primeiros dias de uso ou durante ajustes de dose. Esse efeito merece atenção porque aumenta o risco de quedas, principalmente em idosos, pessoas debilitadas ou pacientes que usam outros medicamentos com ação sedativa.

Confusão mental

Pode acontecer quando o efeito depressor no sistema nervoso central fica mais intenso. O risco também é maior em idosos, pessoas com alterações cognitivas prévias, pacientes em uso de múltiplos medicamentos ou em doses mais altas.

Náusea e vômito

Podem aparecer no início do tratamento, enquanto o organismo se adapta ao medicamento. Embora sejam efeitos conhecidos, se os sintomas forem persistentes devem ser comunicados ao médico para avaliar a necessidade de ajustes no tratamento.

Alterações no apetite

Algumas pessoas podem perceber aumento ou redução do apetite durante o tratamento. Esse efeito não acontece da mesma forma em todos os pacientes e pode estar ligado tanto ao medicamento quanto ao próprio quadro de ansiedade.

Dependência e tolerância

O uso prolongado de benzodiazepínicos pode levar o organismo a se adaptar ao medicamento. Com isso, a mesma dose passa a gerar menos efeito, resultando em tolerância. Também pode haver dependência física, com sintomas de abstinência quando o uso é interrompido de forma brusca.

Por conta dos altos riscos de abuso, tolerância e dependência física dos medicamentos, os atuais alertas regulatórios, como da Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA), passaram a exigir cuidado maior, limitando a prescrição de benzodiazepínicos para tratamentos breves.

Esses cuidados não tornam o tratamento inviável, mas reforçam a importância de decisões mais personalizadas. Afinal, quando você entende melhor como seu organismo tende a responder aos medicamentos, é possível que o médico responsável ajuste o tratamento com muito mais segurança. 

Como a farmacogenética pode tornar o tratamento mais assertivo?

A farmacogenética torna o seu cuidado mais assertivo porque utiliza o seu DNA como um mapa para chegar ao medicamento mais eficaz para o seu corpo.

Como a resposta medicamentosa é única para cada pessoa, pacientes com o mesmo diagnóstico podem responder de formas completamente diferentes aos mesmos tratamentos.

Isso acontece porque o seu organismo possui um ritmo próprio de metabolização das substâncias químicas, por conta de fatores genéticos e biológicos. É essa capacidade de processamento que vai mostrar a tolerância do corpo ao fármaco e definir se você sentirá o alívio esperado.

Iniciar um tratamento sem conhecer esses detalhes genéticos costuma levar ao desgaste da tentativa e erro. Para encurtar esse caminho, a medicina personalizada entrega os dados exatos que o psiquiatra precisa para escolher a opção mais segura e protetora, logo no começo do acompanhamento.

Ansiolítico e medicina personalizada: por que conhecer sua resposta aos medicamentos faz diferença? 

Conhecer a sua resposta aos medicamentos faz diferença porque não existe um único ansiolítico ideal para todos os pacientes. A medicina personalizada entende que o nosso organismo é singular, utilizando essa individualidade para guiar um cuidado muito mais eficaz.

São os fatores genéticos que determinam a capacidade de alívio do fármaco, a presença de efeitos colaterais e a real necessidade de realizar ajustes terapêuticos na sua rotina.

Para maior precisão nessa jornada, os testes farmacogenéticos da GnTech são uma ferramenta de apoio à decisão médica, que contribuem para tratamentos mais seguros, personalizados e com menor tentativa e erro.

Se você quer entender como seu organismo pode responder a ansiolíticos, antidepressivos e outros medicamentos, conheça os testes farmacogenéticos da GnTech voltados para saúde mental e converse com seu médico sobre um tratamento mais personalizado.

Perguntas frequentes sobre ansiolítico

A seguir, confira as respostas para as principais dúvidas:

Quais são os ansiolíticos mais usados?

Os ansiolíticos mais usados incluem benzodiazepínicos, ISRS, IRSN e buspirona. Cada classe têm indicações diferentes, conforme o tipo de ansiedade, intensidade dos sintomas e perfil do paciente.

Qual é o melhor ansiolítico para ansiedade?

Não existe um melhor ansiolítico para todos os casos. A escolha depende do diagnóstico, histórico de saúde, sintomas, risco de efeitos colaterais e resposta individual ao tratamento de pessoa.

O que é ansiolítico natural?

Ansiolítico natural é o termo usado para fitoterápicos com efeito calmante leve, como passiflora e valeriana. Eles podem ajudar em sintomas leves, mas não substituem avaliação médica nem tratamentos indicados para quadros moderados ou graves.

Foto de Guido Boabaid

Guido Boabaid

Psiquiatra e Psicoterapeuta. CEO e fundador da GnTech, Professor Convidado da Faculdade de Medicina da Unisul - Pedra Branca. Médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein. Mais de 1.000 casos clínicos guiados pelo Teste Farmacogenético.

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