Fluoxetina: para que serve, quando usar e quais efeitos esperar.

por Guido Boabaid
29/04/2024 13/05/2024

Descubra como a fluoxetina, um medicamento amplamente utilizado no tratamento da ansiedade e da depressão, pode afetar o corpo, os tempos esperados para seus efeitos e os momentos ideais para tomar. Além disso, explore os efeitos colaterais mais comuns associados ao seu uso. Este post oferece insights sobre as condições médicas para as quais a fluoxetina é indicada, incluindo ansiedade e depressão, além de fornecer informações sobre doses recomendadas e o acompanhamento necessário para garantir a eficácia do tratamento.

Para que serve a fluoxetina?​

A fluoxetina é um conhecido antidepressivo do grupo dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS). Ela ajuda a restaurar o equilíbrio de certos neurotransmissores no cérebro, principalmente a serotonina. Embora a fluoxetina seja comumente usada como um medicamento antidepressivo, ela também pode ser prescrita para tratar uma variedade de distúrbios psiquiátricos, tais como:

  • Transtorno depressivo maior​
  • Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC)​
  • Transtorno disfórico pré-menstrual​
  • Bulimia nervosa ​
  • Transtorno de pânico ​
  • Depressão resistente ao tratamento e depressão bipolar​
  • Transtorno de ansiedade generalizada

O medicamento pode ser uma escolha de primeira linha para depressão atípica (ex.:, com excesso de sono e aumento do apetite), além de ser aprovada para tratamento de crianças com depressão ou TOC.

Clique e assista o vídeo abaixo sobre a fluoxetina:

Qual é a dose de fluoxetina geralmente recomendada?

A dose de fluoxetina é recomendada conforme a avaliação clínica do paciente. Para o Transtorno Depressivo, recomenda-se iniciar com 20 mg/dia, aumentando-se gradualmente até 80 mg/dia. No tratamento do Transtorno de Ansiedade, inicia-se com 5 mg/dia, para prevenir o aparecimento da inquietude e da ansiedade, comuns no início do uso, com lento aumento até 20 mg/dia.​

Esclarecimento adicional: deve-se priorizar a ingestão do fármaco pela manhã, para evitar insônia, e após as refeições, para evitar dor estomacal (devido ao estômago vazio).

Quanto tempo para a fluoxetina começar a fazer efeito?

Em geral, os resultados são esperados entre 2 a 4 semanas após o início do tratamento. Se não houver melhorias percebidas dentro de 6-8 semanas, é aconselhável consultar o médico para avaliar a necessidade de ajustar a dose da fluoxetina ou de realizar a troca do medicamento. 

Quais os efeitos colaterais mais comuns durante o uso da fluoxetina?

​Não é garantido que todos os pacientes que tomam fluoxetina terão efeitos colaterais. A maioria deles reduz com o tempo, à medida que o efeito do medicamento aumenta. No entanto, como acontece com qualquer outro medicamento, a fluoxetina pode causar reações secundárias de intensidade variada em diferentes pessoas, tais como:

  • Disfunção sexual​
  • Náusea​
  • Nervosismo e sudorese​
  • Insônia​
  • Dor de cabeça​
  • Fraqueza​
  • Sonolência

Devido aos seus efeitos serotonérgicos, a fluoxetina pode reduzir o apetite e o sono, além de causar disfunções sexuais. Este medicamento modifica o ciclo do sono, resultando em um aumento da fase 1 e do tempo para alcançar o sono REM, e uma redução no período total de sono REM.

Quais são as contraindicações para o uso da fluoxetina?

Absolutas

  • Alergia à fluoxetina.
  • Uso concomitante de IMA0.
  • Uso concomitante de pimozida.
  • Uso concomitante de tamoxifeno.
  • Uso concomitante de tioridazina.

Relativas:

  • Uso com cautela em pacientes com história de convulsões.
  • Uso com cautela em pacientes com história de transtorno bipolar.

Precauções e dicas sobre o uso da fluoxetina.

A fluoxetina, um antidepressivo comum, requer precauções específicas ao ser administrada. Pacientes com histórico de convulsões devem usá-la com cautela. Em casos de transtorno bipolar, a utilização da fluoxetina deve ser cuidadosa, a menos que estejam sendo tratados simultaneamente com estabilizadores do humor. Isso se deve à dificuldade na retirada do medicamento devido à sua longa meia-vida e à presença de um metabólito ativo de ainda maior duração. Ao adicionar ou iniciar outros antidepressivos após a interrupção da fluoxetina, é importante fazê-lo com cautela durante até cinco semanas, pois pode ocorrer embotamento afetivo e cognitivo.

Os efeitos colaterais autonômicos, gastrointestinais e sexuais são comuns com a fluoxetina. Para tratar a disfunção sexual associada à fluoxetina, podem ser adicionados medicamentos como bupropiona, sildenafila, vardenafila ou tadalafila, ou então considerar a troca para um antidepressivo que não seja um inibidor seletivo de recaptação de serotonina (ISRS). Os ISRSs, incluindo a fluoxetina, podem ser úteis no tratamento de fogachos em mulheres na perimenopausa. Algumas mulheres na pós-menopausa podem responder melhor à fluoxetina potencializada por estrogênio do que à fluoxetina isoladamente, conforme determinado pelo monitoramento terapêutico de medicamentos (TDM).

Populações especiais

Gravidez

Durante a gravidez, é preferível evitar o uso de ISRSs, especialmente no primeiro trimestre. No entanto, em casos de sintomas depressivos, ansiedade ou obsessivo-compulsivos graves, é necessário avaliar cuidadosamente os benefícios e riscos do tratamento tanto para a mãe quanto para o bebê. Embora muitas grávidas tenham usado fluoxetina no primeiro trimestre sem efeitos teratogênicos comprovados, há um pequeno aumento do risco de defeitos cardíacos no feto quando exposto a ISRSs nesse período. No final da gravidez, o uso de ISRSs pode aumentar o risco de hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia. Evitar o uso de fluoxetina perto do parto é recomendado devido ao aumento do risco de sangramento materno e possíveis efeitos colaterais no recém-nascido devido à longa duração do medicamento no organismo.

Amamentação

A fluoxetina passa para o leite materno, podendo causar efeitos colaterais no bebê, como irritabilidade e dificuldades de alimentação. Outras opções podem ser consideradas para permitir a amamentação sem esses riscos.

Crianças e adolescentes

A fluoxetina é aprovada para uso em crianças com transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e transtorno depressivo maior (TDM), mas doses menores são necessárias. Crianças que tomam fluoxetina podem ter crescimento mais lento, embora os efeitos de longo prazo ainda sejam desconhecidos. Requer monitoramento cuidadoso, especialmente para detectar sinais de transtorno bipolar ou ideação suicida. Adolescentes costumam necessitar de doses comparáveis às dos adultos, ao passo que crianças requerem doses menores.

Idosos

Em idosos, doses menores podem ser mais eficazes devido ao metabolismo reduzido da fluoxetina e maior sensibilidade a interações medicamentosas. Pode aumentar o risco de certos problemas de saúde, como a síndrome de secreção inapropriada de hormônio antidiurético (SIADH) e interações com outros medicamentos comuns nessa faixa etária.

Insuficiência renal e cardíaca

Não é necessário ajuste de dose para pacientes com insuficiência renal. Estudos iniciais sugerem que a fluoxetina é segura em pacientes com insuficiência cardíaca.

Como a sua genética pode influenciar os resultados, os efeitos colaterais e a metabolização?

Alterações em seu DNA podem desempenhar um papel crucial na forma como esse medicamento age em você. Você pode não responder tão bem a este medicamento, podendo tornar o seu tratamento pouco eficiente.​

Sua genética também influenciar na capacidade do seu corpo de processar e eliminar a fluoxetina, aumentando-a ou diminuindo-a. Isso significa que você pode precisar de ajustes de dose personalizados.​

A análise do gene SLC6A4, por exemplo, tem sido utilizada na prática clínica como uma ferramenta para predição da resposta ao tratamento com ISRSs (Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina; exemplos: citalopram, escitalopram, fluoxetina).

Testes farmacogenéticos são essenciais para identificar essas alterações no seu DNA e para descobrir qual o tratamento mais adequado para você.

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