Quetiapina: para que serve, como age e quais cuidados são necessários
- Por Guido Boabaid
- Tempo: 8 minutos
A quetiapina é um medicamento antipsicótico amplamente prescrito na prática clínica. Ela é indicada para tratar principalmente esquizofrenia, transtorno bipolar e, em alguns casos, é indicada como adjuvante no tratamento da depressão.
No entanto, precisa de prescrição e acompanhamento médico, pois pode causar efeitos colaterais como sonolência, ganho de peso e alterações metabólicas, e a resposta ao medicamento pode variar de pessoa para pessoa.
Para facilitar a personalização do tratamento, uma boa alternativa é a realização de um teste farmacogenético, uma vez que a farmacogenética pode ajudar a compreender essas diferenças individuais e ajustar a dose de acordo com a necessidade de cada paciente. Isso é importante, sobretudo, em casos de uso prolongado ou em combinação com outros fármacos.
Neste artigo, explicaremos o que é, para que serve e como funciona a quetiapina, quais cuidados são necessários durante seu uso e como a farmacogenética pode potencializar o tratamento com o remédio. Acompanhe.
Sumário
O que é quetiapina?
Quetiapina é um remédio que pertence à classe dos antipsicóticos atípicos, derivado da dibenzotiazepina, porém, com menos efeitos colaterais do que esta. Seu princípio ativo é o Hemifumarato de Quetiapina, indicado para o tratamento de diversos transtornos psiquiátricos.
Esse medicamento psiquiátrico age como antagonista dos neurotransmissores serotonina e dopamina e também como estabilizador de humor. Como diversos transtornos mentais estão ligados a desregulações nesses neurotransmissores, a quetiapina tem várias indicações clínicas, como veremos a seguir.
Para que serve a quetiapina?
A quetiapina é um antipsicótico com indicação para transtornos psiquiátricos como esquizofrenia e transtorno bipolar e, em alguns casos, como adjuvante no tratamento da depressão e da insônia.
Mais especificamente, o medicamento tem serventia no manejo dos sintomas das fases de mania e depressão em pacientes com transtorno bipolar, bem como no tratamento dos sintomas de pacientes esquizofrênicos, uma vez que ajuda a regular a serotonina e a dopamina no organismo, colaborando para a estabilização do humor.
No caso do tratamento da depressão, a quetiapina é um tratamento complementar, comumente associado ao uso de antidepressivos, potencializando o efeito destes quando administrada em doses baixas. O objetivo é contribuir para o bem-estar da pessoa tratada.
Essas são as indicações formais, mas, como ressaltamos, a quetiapina ajuda a controlar os sintomas de diversos transtornos mentais, daí a importância do acompanhamento e do uso individualizado, já que é comum que os médicos avaliem caso a caso se a quetiapina pode fazer bem ao paciente.
É importante enfatizar isso porque, muitas vezes, o paciente pode pensar: “mas eu não tenho esquizofrenia nem bipolaridade, por que preciso usar esse medicamento?” Isso é um erro, já que a quetiapina, quando bem-indicada, pode ser útil para tratar uma série de condições.
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A quetiapina acalma?
A quetiapina pode, sim, ajudar a reduzir a agitação, estabilizar o humor e melhorar alguns sintomas emocionais e comportamentais, mas isso depende da indicação clínica e do perfil do paciente.
Muitas vezes, pacientes bipolares, esquizofrênicos ou depressivos apresentam um comportamento agitado e um humor desregulado, e, nesse sentido, a quetiapina pode acalmar.
O medicamento, porém, não deve ser encarado como um simples calmante, e muito menos ser tomado por conta própria quando a pessoa se sentir “nervosa” ou “agitada” demais. É preciso receita médica e acompanhamento contínuo, sobretudo no tratamento de males como transtorno bipolar, esquizofrenia e como adjuvante no combate à depressão.
Quetiapina dá sono?
A quetiapina pode dar sono devido ao seu efeito sedativo, que é relativamente comum em parte dos pacientes, sobretudo no início do tratamento ou em doses mais altas. Esse efeito está relacionado ao mecanismo de ação do medicamento no sistema nervoso central.
Contudo, é importante alertar que o fato de causar sonolência não significa que o medicamento deva ser usado para dormir, uma vez que essa não é a sua indicação clínica. Embora ele possa ser coadjuvante no tratamento de insônia, nunca deve ser tomado sem acompanhamento médico, já que somente um especialista pode avaliar a necessidade do uso e a dose correta.
Quais são os principais efeitos colaterais da quetiapina?
Como grande parte dos medicamentos psiquiátricos, a quetiapina pode apresentar alguns efeitos colaterais, que podem variar de acordo com a dose prescrita, o tempo de uso e as características individuais de cada paciente.
Entre os principais efeitos colaterais da quetiapina, podemos citar:
- Sonolência;
- Ganho de peso;
- Boca seca;
- Tontura;
- Alterações metabólicas;
- Possíveis impactos na glicemia e nos lipídios.
Esses sintomas, quando aparecerem, devem ser comunicados ao psiquiatra, que avaliará a necessidade ou não de troca do medicamento ou de ajuste de dose.
Como a quetiapina é usada na prática clínica?
A prescrição da quetiapina depende do diagnóstico, da dose, do objetivo terapêutico e da resposta do paciente ao tratamento. É comum, inclusive, que os médicos façam um ajuste gradual na dose, começando com doses pequenas e aumentando aos poucos.
Em determinados casos, é necessário o uso prolongado, o que pode intensificar os efeitos adversos e, portanto, exige cuidados redobrados do médico, que precisa ficar de olho nas doses, e do paciente, que precisa seguir à risca a prescrição.
Muitas vezes, a quetiapina é combinada com outros fármacos, como antidepressivos no tratamento da depressão. Durante o tratamento, é essencial realizar o monitoramento clínico e metabólico para garantir que o remédio está fazendo o efeito esperado, com o mínimo de reações indesejadas.
Quetiapina e variabilidade individual no tratamento
A resposta à quetiapina pode variar de paciente para paciente, tanto no que diz respeito à eficácia quanto no que diz respeito à tolerabilidade. Essa variabilidade se dá em função de fatores clínicos, metabólicos e genéticos.
Essa diferença ajuda a explicar por que alguns pacientes apresentam mais sedação, maior risco de ganho de peso ou necessidade de ajustes mais cuidadosos, enquanto outros toleram melhor o tratamento.
GnTech e a personalização do tratamento com quetiapina
Como os resultados do tratamento podem variar de pessoa para pessoa, a farmacogenética pode ser de grande valia. Afinal, ela auxilia o médico a compreender as variações individuais de resposta e os possíveis efeitos colaterais, de modo que consegue ajustar a dose ou, em casos mais drásticos, substituir o medicamento se ele não estiver sendo eficaz.
O Teste Farmacogenético PsicoGene Pro pode ser uma excelente ferramenta de apoio à decisão médica, ajudando na escolha e no ajuste de medicamentos com maior segurança e personalização, sobretudo em casos de uso prolongado ou de combinação de diferentes fármacos.
A quetiapina é um medicamento importante em diferentes contextos da saúde mental, mas exige avaliação individual, atenção aos efeitos colaterais e acompanhamento médico. E a farmacogenética pode potencializar o resultado do tratamento com ela!
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Perguntas frequentes sobre Quetiapina
Ainda com alguma dúvida sobre a quetiapina? Então confira se a resposta está listada abaixo.
Embora a quetiapina possa causar sonolência em algumas pessoas, ela não deve ser utilizada somente com esse intuito sem acompanhamento médico.
Em alguns casos, a quetiapina pode colaborar para o ganho de peso, mas essa reação varia de paciente para paciente.
Não, pois a interrupção abrupta pode causar síndrome de abstinência com sintomas como insônia grave, náuseas, vômitos, irritabilidade, confusão mental, tontura e taquicardia. O ideal é um desmame gradual, por pelo menos uma a duas semanas sob orientação médica.



